Humanismo para Crianças por William Lane Craig

O artigo a seguir foi publicado no Washington Post em 10/12/2012

craig-smilingA Associação Humanista Americana está promovendo um novo site que é projetado para fornecer às crianças uma perspectiva naturalista ou ateísta em ciência, sexualidade e outros temas. O objetivo declarado do site é elogioso: “estimular a curiosidade, o pensamento crítico e a tolerância entre os jovens, bem como para fornecer informações precisas a respeito de uma ampla gama de questões relacionadas com humanismo, ciência, cultura e história.”

O problema é que esses valores não têm ligação intrínseca com o naturalismo, que é um ponto de vista filosófico que sustenta que não há nada além do conteúdo físico do universo. Uma pessoa não precisa ser um naturalista, a fim de apoiar a curiosidade, o pensamento crítico, a tolerância e a busca de informações precisas sobre uma ampla gama de temas.

Ironicamente, a AHA tem sido notavelmente acrítica em pensar sobre a verdade do naturalismo e do humanismo, em particular.

Por exemplo, por que pensar que o naturalismo é verdadeiro? O último meio século testemunhou um verdadeiro renascimento da filosofia cristã. Em um artigo recente, Universidade de Western Michigan filósofo Quentin Smith lamenta “o dessecularização da academia que evoluiu na filosofia desde os anos 1960.” Queixar-se da passividade dos naturalistas em face da onda de “teístas inteligentes e talentosos que entram na academia atualmente, “Smith conclui,” Deus não está ‘morto’ na academia;. ele retornou à vida no final dos anos 1960 e agora está vivo e bem em sua última fortaleza acadêmica, os departamentos de filosofia ”

Este renascimento da filosofia Cristã tem sido acompanhada por um ressurgimento do interesse em argumentos para a existência de Deus com base unicamente na razão e evidências, além dos recursos da revelação divina como a Bíblia. Todos os argumentos tradicionais para a existência de Deus, como os cosmológicos, argumentos teleológicos, moral e ontológico, para não mencionar novos argumentos criativos, encontram, no cenário filosófico contemporâneo, defensores inteligentes e articulados .

Mas o que sobre o chamado “novo ateísmo” exemplificado por Richard Dawkins, Sam Harris e Christopher Hitchens? Não é sinal de uma inversão desta tendência? Não é verdade. O Novo Ateísmo é, na verdade, um fenômeno cultural pop que carece de  músculo intelectual e é alegremente ignorante acerca da revolução que tomou lugar na filosofia acadêmica. Em meus debates com filósofos naturalistas e cientistas eu tenho ficado francamente atordoado pela incapacidade deles de refutar os vários argumentos para Deus e para oferecer os argumentos persuasivos para o naturalismo.

Além disso, o naturalismo enfrenta graves problemas por sí só. O filósofo Alvin Plantinga argumentou persuasivamente que o naturalismo não pode sequer ser racionalmente afirmado. Porque, se o naturalismo fosse verdade, a probabilidade de que nossas faculdades cognitivas fossem confiáveis é muito baixa. Pois essas faculdades foram moldadas por um processo de seleção natural, que não seleciona para a verdade, mas apenas para a sobrevivência. Há muitas maneiras em que um organismo pode sobreviver sem que suas crenças sejam verdadeiras. Assim, se o naturalismo fosse verdadeiro, não poderíamos ter alguma confiança de que nossas crenças são verdadeiras, incluindo a crença no naturalismo em si! Assim, o naturalismo parece ter um invalidador embutido que o torna incapaz de ser racionalmente afirmado.

O problema para o humanista é ainda pior, no entanto. Pois o humanismo é apenas uma forma de naturalismo. É uma versão do naturalismo que afirma o valor objetivo dos seres humanos. Mas por que pensar que se o naturalismo fosse verdade, os seres humanos teriam valor moral objetivo? Existem três opções diante de nós:

• O teísta afirma que valores morais objetivos são fundamentados em Deus.

• O humanista sustenta que valores morais objetivos são fundamentados em seres humanos.

• O niilista sustenta que os valores morais são sem fundamento e, portanto, em última análise subjetivos e ilusórios.

O humanista está, portanto, engajado em uma luta em duas frentes: de um lado, contra os teístas e do outro lado contra os niilistas. Isto é importante porque sublinha o fato de que o humanismo não é uma posição padrão. Isso quer dizer que, mesmo se o teísta estiver errado, isso não significaria que o humanista está certo. Porque, se Deus não existe, talvez seja o niilista que esteja certo. O humanista precisa derrotar tanto o teísta como o niilista. Em particular, ele deve mostrar que, na ausência de Deus, o niilismo não seria verdade.

O novo site humanista nunca encoraja as crianças a pensar criticamente sobre as perguntas difíceis sobre a justificação do próprio humanismo. Humanistas tendem a ter condescendente desprezo ao teísmo e e obviamente ao niilismo. Enquanto isso, eles alegremente exaltam as virtudes do pensamento crítico, a curiosidade, e ciência, aparentemente sem saber da incoerência no cerne de sua própria visão de mundo.

William Lane Craig é um teólogo e filósofo, bem como fundador da ReasonableFaith.org, uma organização sem fins lucrativos que tem como objetivo fornecer uma perspectiva cristã sobre as questões mais importantes relativas à verdade da fé hoje.

Tradução Mike Moore

Resumo de Debate: William Lane Craig x Alex Rosenberg: A Fé em Deus é Razoável?

Meus breves comentários Segue o resumo do debate ocorrido ontem (01/02/2013).

O Dr Rosemberg pode ser facilmente encaixado no grupo dos piores debatedores que o Dr Craig já teve. Despreparado e arrogante como estes calouros de programas de música que acham que estão arrasando enquanto o juri está rindo a beça.

Numa outra postagem eu tecerei mais comentários.

2013_symposium_brochureFonte:  Wintery Knight
Tradução: Mike Moore

Abaixo você encontrará o meu resumo do debate Craig-Rosenberg, que ocorreu em 1 de fevereiro de 2013 na Universidade de Purdue. O debate foi transmitido ao vivo pela Internet .

Brian Auten postou o áudio em MP3 do debate em Apologetics 315. Todo mundo marque o web site para um acesso mais rápido ao  áudio do debate. JW Wartick tem uma revisão do debate aqui. Tom Gilson tem uma revisão do debate aqui.

Os debatedores

William Lane Craig :

William Lane Craig é professor pesquisador de filosofia na Talbot School of Theology em La Mirada, na Califórnia.

Dr. Craig prosseguiu os seus estudos de graduação na Wheaton College (BA 1971) e pós-graduação na Trinity Evangelical Divinity School (MA 1974; MA 1975), da Universidade de Birmingham (Inglaterra) (Ph.D. 1977), e da Universidade de Munique (Alemanha) (D.Theol. 1984). De 1980-1986, ele ensinou Filosofia da Religião na Trindade … Em 1987, mudou-se para Bruxelas, na Bélgica, onde o Dr. Craig realizou pesquisa da Universidade de Louvain até assumir a sua posição na Talbot em 1994.

Ele é autor ou editor de mais de trinta livros, incluindo The Kalam Cosmological Argument; Assessing the New Testament Evidence for the Historicity of the Resurrection of Jesus; Divine Foreknowledge and Human Freedom; Theism, Atheism and Big Bang Cosmology; and God, Time and Eternity, bem como mais de uma centena de artigos em revistas profissionais de filosofia e teologia, incluindo The Journal of Philosophy, New Testament Studies, Journal for the Study of the New Testament, American Philosophical Quarterly, Philosophical Studies, Philosophy, e British Journal for Philosophy of Science.

O curriculum do Dr Craig está aqui .

Lista das publicações do Dr Craig está aqui .

Alex Rosenberg :

Entrei para a faculdade Duke, em 2000. Antigamente eu era professor de filosofia na Universidade Dalhouse no Canadá, Syracuse University, Universidade da Califórnia, Riverside, e na Universidade da Geórgia, em os EUA. Também fui professor visitante e / ou companheiro do Centro de Filosofia da Ciência da Universidade de Minnesota, bem como da Universidade da Califórnia, Santa Cruz, Universidade de Oxford (Balliol College) e da Escola de Pesquisa de Ciências Sociais da Universidade Nacional Australiana. Aqui no Duke, eu sou co-diretor do Centro de Filosofia da Biologia, juntamente com Robert Brandon, McShea Dan e Nijhout Fred.

Além disso, eu sou o diretor do Programa de Bolsas de AB Duke e sua associada Duque de verão no Programa Oxford  no New College. Junto com a professora Martha Reeves do  do Departamento de Sociologia eu co-dirijo Duque o programa de verão sobre a Globalização, em Genebra. Confira os links abaixo para mais informações sobre estes programas.

Meus interesses se concentraram em problemas na metafísica, principalmente em torno da causalidade, a filosofia das ciências sociais, em especial da economia e, acima de tudo, a filosofia da biologia, em particular a relação entre a biologia molecular, funcional e evolutiva.

Abaixo está o resumo de hoje à noite (01 de fevereiro de 2013).

Se você gosta do resumo abaixo, por favor, me amigo no Facebook e / ou siga-me no Twitter .

Resumo do debate

Discurso de abertura o Dr. Craig:

O tema: Quais são os argumentos que fazem a crença em Deus razoável ou não?
Primeiro discurso: argumentos para a razoabilidade da crença em Deus
Segundo discurso: responder aos argumentos contra a razoabilidade da crença em Deus

Oito argumentos:

  1. Argumento da contingência: Deus – um ser transcendente, pessoal – é a explicação do porquê de um universo contingente existe.
  2. Argumento cosmológico: Deus é a causa do início do universo, que é atestada pela física e cosmologia.
  3. Aplicabilidade da matemática à natureza: Deus é a melhor explicação para a aplicabilidade da matemática à natureza.
  4. Argumento da sintonia fina : Deus é a melhor explicação para o ajuste fino do universo para permitir a vida.
  5. Intencionalidade dos estados de consciência: Deus é a melhor explicação para a intencionalidade dos nossos estados mentais.
  6. O argumento moral: Deus é a melhor explicação para a existência de valores e deveres morais objetivos.
  7. A ressurreição de Jesus: Deus é a melhor explicação para o núcleo de fatos históricos aceitos pela maioria dos historiadores da antiguidade – vindos de todo o espectro ideológico.
  8. Experiência religiosa: Deus é a melhor explicação para a nossa experiência imediata e conhecimento de sua existência.

Dr. Rosenberg fala de abertura

Primeiro argumento: A falácia ad hominem

  • Eu não sei se devo rir ou chorar
  • Dr. Craig disse tudo isso antes em outros debates
  • Você não precisava sair nesta noite fria
  • Argumentos de Craig já foram todos refutados
  • Dr. Craig apenas não escuta
  • Dr. Craig não está interessado em chegar à verdade
  • Dr. Craig está apenas interessado ​​em marcar pontos no debate
  • O sistema adversarial é a abordagem errada para decidir verdade
  • Dr. Craig está muito confiante sobre sua visão da física

Segundo argumento: A falácia de argumentar de autoridade

  • 95% dos membros do NAS são ateus
  • Portanto Dr. Craig não pode usar ciência

Terceiro argumento: Efeitos não necessitam de causas

  • Eu vou fingir que Craig disse que “todo efeito exige uma causa”
  • A mecânica quântica mostra que alguns efeitos ocorrem sem causas
  • Uma partícula de urânio (que não é nada, é alguma coisa) decai sem causa
  • Este efeito sem causa é o mesmo que o universo vir a ser a partir do nada sem causa
  • Portanto, o princípio da razão suficiente é falsa

O quarto argumento: vida baseada em silício e o multiverso

  • Se essas constantes tivessem sido diferentes, talvez teríamos outras formas de vida inteligente, como base no silício
  • Vida baseada em carbono não é o único tipo de vida, talvez você pode ter outros tipos de vida, nenhum dos quais foram observados
  • Poderia haver diferentes tipos de vida em outras áreas do universo que não podemos ver
  • Há coisas que não podemos ver que refutar a física atual que podemos ver
  • Espuma quântica é prova de que existe um multiverso
  • O multiverso iria resolver o problema de sintonia fina

Quinto argumento: O dilema Eutífron

  • O argumento moral é refutada pelo dilema Eutífron
  • Dr. Craig é tão idiota que ele nunca ouviu falar do dilema Eutífron antes
  • Isto é encontrado no primeiro e mais simples diálogos de Platão
  • Porque é que o Dr. Craig é tão estúpido por não ter lido este simples diálogo antes?
  • A evolução explica por que os humanos evoluem costumes arbitrários e convenções que variam de acordo com tempo e lugar
  • Teorias morais alternativas: utilitarismo, contrato social, etc, que não necessitam de Deus

Sexto argumento: Mormonismo mina os três fatos mínimos de Dr. Craig sobre Jesus

  • Porque é que o Dr. Craig é tão estúpido e ignorante para persistir em levar tal argumento ignorante e estúpido?
  • O mormonismo é uma religião boba e que não é historicamente bem fundada
  • Portanto, Jesus não foi enterrado
  • O Islã é uma religião boba e sem fundamento histórico
  • Portanto, o túmulo não foi encontrado vazio
  • Cientologia é uma religião boba e sem fundamento histórico
  • Portanto, as testemunhas oculares não tiveram experiências de aparições post-mortem
  • Testemunho ocular não é confiável em alguns casos
  • Portanto, testemunho ocular não era confiável neste caso
  • Aparições de Maria são bizarras
  • Portanto, a maioria dos historiadores estão errado em pensar que os discípulos viram aparições post-mortem

Sétimo argumento: problema dedutivo do mal

  • Mal e o sofrimento são logicamente incompatíveis com um tudo de bom, Deus todo poderoso

Oito argumento: Deus não é justo em permitir o mal e o sofrimento

  • Deus não pode fazer os males desta vida virem para bem na vida após a morte

Refutação primeira Dr. Craig

Dr. Rosenberg esboçou o argumento dedutivo do mal.

Dr. Rosenberg pressupõe o naturalismo. O naturalismo é uma teoria falsa de conhecimento:

1. É muito restritiva: Existem verdades que não podem ser provadas pela ciência natural.
2. É auto-refutável: nenhuma prova científica para o naturalismo existe.

É por isso que o naturalismo epistemológico é considerada falsa pela maioria dos filósofos da ciência.

Mas, mais importante do que isso: o naturalismo epistemológico não implica naturalismo metafísico. (Ex. – W. Quine)

Dr. Rosenberg tem de apresentar argumentos a favor do naturalismo (metafísico), não apenas supor que ele é verdadeiro.

Dr. Craig apresentou oito argumentos contra o naturalismo metafísico extraídos do livro próprio Rosenberg:

1. O argumento da intencionalidade (tematicidade) de estados mentais implica em mentes não-físicas (dualismo), o que é incompatível com o naturalismo
2. A existência de significado na linguagem é incompatível com o naturalismo, Rosenberg até mesmo diz que todas as sentenças em seu próprio livro são sem sentido
3. A existência da verdade é incompatível com o naturalismo
4. O argumento do elogio e culpa moral é incompatível com o naturalismo
5. Liberdade libertária (livre arbítrio) é incompatível com o naturalismo
6. Propósito é incompatível com o naturalismo
7. O conceito de duração do “eu” é incompatível com o naturalismo
8. A experiência da subjetividade da primeira pessoa (“eu”) é incompatível com o naturalismo

Naturalismo metafísico é falso: é irracional e contradiz nossa experiência de nós mesmos.

E naturalismo epistemológico é compatível com o teísmo.

Rebatendo respostas Dr. Rosenberg:

1. Contingência: sem resposta

2. Cosmológico: ele alterou a primeira premissa para dizer todos os efeitos … quando é tudo o que existe …, a origem do universo não foi de um vácuo, partículas virtuais vêm de um vácuo não do nada, há interpretações da MQ que são compatíveis com o determinismo. Rosenberg tem que acreditar que o universo inteiro surgiu do não-ser.

3. Matemática: sem resposta

4. Sintonia fina: o multiverso é refutado por observações empíricas do universo. Sem o ajuste fino, não é que ainda poderíamos ter vida com base em silicone. É que perdemos  coisas mínimas básicas como a diversidade química, matéria, estrelas, planetas, etc Nenhuma vida de qualquer tipo, não apenas a vida baseada em carbono.

5. Intencionalidade: nenhuma resposta.

6. Argumento moral: a resposta para o dilema é que você dividir o dilema: Deus é o padrão de bem, e o comandos fluem de sua natureza moral imutável. Os comandos não são arbitrários, e que o padrão não é externo a Deus. Dr. Rosenberg é um niilista e ele não pode fundamentar o bem e o mal em sua visão niilista.

7. Ressurreição: Os Evangelhos são testemunho oculares precoces. Mormonismo e Islã não têm nada a ver com o conjunto mínimo de fatos históricos sobre Jesus aceitos pela maioria dos historiadores antigos de todo o espectro ideológico, declarações gerais contra testemunhas não refutam o testemunho ocular específico neste caso.

8. Experiência religiosa: Sem resposta.

Refutação primeira Dr. Rosenberg

Eu escrevi um livro e você deve comprá-lo, porque ele me convidou para este debate. Deixe-me repetir o título algumas vezes para você. Por favor, compre-o.

Dr. Craig está certo, há várias interpretações da MQ, e não apenas a que eu apresentei, incluindo as deterministas.

Todas as implicações perturbadoras do naturalismo que o Dr. Craig declarou seguem do naturalismo metafísico, e naturalismo metafísico é verdadeiro. (Nota: ele compara a ciência com o naturalismo metafísico)

A ciência prova que o naturalismo metafísico é verdade, mas eu não vou dizer qual testes científico específico prova minha suposição filosófica do naturalismo metafísico.

Vou fingir que o Big Bang (ciência) não refuta o naturalismo, como o Dr. Craig disse. Novamente. (Cobrindo as orelhas) Lá lá lá, não há Big Bang.

Nós não viemos aqui para debater o naturalismo epistemológico e naturalismo metafísico.

Deixe-me explicar o problema da intencionalidade uma vez que eu sou tão inteligente e ninguém sabe o que significa.

Existem muitas respostas para este problema da intencionalidade.

Minha resposta é que a maioria dos cientistas são naturalistas, portanto, o naturalismo é verdadeiro, independentemente do argumento da intencionalidade dos estados mentais.

É assim que eu iria responder a um dos oito problemas com o naturalismo que o Dr. Craig levantou. Eu não vou responder os outros sete problemas.

É um argumento da ignorância argumentar que a aplicabilidade da matemática para o universo requer um designer, porque há geometrias não-euclidianas. O argumento de Craig, que ele pegou de pessoas respeitadas como o físico Eugene Wigner , é bizarro. É estranho, portanto, eu refutei Eugene Wigner e todos os outros estudiosos que apresentam esse argumento. É bizarro! Bizarro!

Problema dedutivo do mal: não há resposta a este argumento, certamente a defesa livre arbítrio de Alvin Plantinga não responde. O argumento dedutivo do mal não foi totalmente abandonado de forma nenhuma! Não é como arco-ateu JL Mackie mesmo admite que o problema dedutivo do mal não levar a uma inconsistência lógica entre o mal e Deus.

Dr. Craig tem que me dizer por que Deus permite o mal ou Deus não existe.

É ofensivo que o Dr. Craig não pode me dizer por que Deus permite que todo o mal e sofrimento ocorra.

Ele literalmente disse o seguinte: “Vou me tornar um cristão, se o Dr. Craig me dizer por que Deus permitiu TODO O MAL QUE OCORREU NOS ÚLTIMOS 3,5 BILHÕES DE ANOS”

Refutação segunda Dr. Craig

Nós não estamos em posição de saber por que Deus permite situações específicas do mal e do sofrimento.

Deus não pode forçar as pessoas a livremente fazer qualquer coisa – a liberdade não é compatível com o determinismo. A liberdade é um bem, mas a liberdade abre a possibilidade do mal moral. Você não pode ter o bem de livre vontade, sem permitir que as pessoas optem por fazer coisas moralmente más.

Deus pode permitir o mal e o sofrimento, a fim de trazer mais pessoas para um relacionamento com Ele.

O ateu tem que mostrar que Deus poderia permitir menos mal e conseguir mais conhecimento de Deus, a fim de dizer que há muito mal.

O propósito da vida não é a felicidade, mas o conhecimento de Deus.

Dr. Craig cita agnóstico Paul Draper (Purdue) e Peter Van Inwagen (Notre Dame) para afirmar que o problema dedutivo do mal está morto por causa do livre-arbítrio e razões moralmente suficientes para permitir o mal.

1. Contingência: nenhuma resposta.

2. Cosmológico: MQ não se aplica, porque o universo não veio do nada, um vácuo, e MQ só funciona em um vácuo.

3. Matemática: Ele cita alternativas como geometria não-euclidiana, mas temos que explicar a estrutura do universo.

4. Sintonia fina:??

5. Estados intencionais: estados mentais intencionais prova que existem mentes, que se encaixa com o teísmo melhor do que ele se encaixa com o ateísmo.

6. Argumento moral: Você precisa de Deus para uma base da moralidade, e Dr. Rosenberg acredita em moralidade. Ele precisa de Deus para fundar valores e deveres morais objetivos.

7. Argumento histórico: Ele tem de responder aos fatos mínimos compatíveis com o consenso dos historiadores antigos em todo o espectro ideológico.

8. Os problemas do naturalismo: Ele diz que você não pode ter a ciência sem o naturalismo, mas você pode ter a ciência com o naturalismo epistemológico, e teístas aceitam a ciência e o naturalismo metodológico. Nós não aceitamos o NATURALISMO METAFÍSICO por causa dos oito problemas apresentados, como intencionalidade, primeira pessoa, persistência do “eu”, etc. Você pode acreditar na ciência e no teísmo, ao abraçar o naturalismo epistemológico, enquanto rejeita o naturalismo metafísico.

Refutação segunda Dr. Rosenberg

Dr. Craig não respondeu muitos dos meus pontos, embora eu não vá dizer quais foram.

Debates não funcionam como uma maneira de decidir o que é verdade, por isso, devemos derrubar o sistema de justiça criminal completo.

O princípio da razão suficiente é falso porque é refutada pela mecânica quântica. E a mecânica quântica (vácuo e partículas virtuais que existem por um curto período de tempo) é semelhante à origem do universo (nada e o universo inteiro e 14 bilhões de anos).

Sabemos que as partículas alfa vêm a existência sem causa o tempo todo de um vácuo quântico para uma duração de sub-segundo minúsculo antes de sair de existência, então podemos dizer que todo o universo físico surgiu há 14 bilhões de anos do nada absoluto que não é um vácuo quântico.

Peter Van Inwagen é o melhor metafísico trabalhando hoje, e ele diz que o meu argumento dedutivo do mal não é decisivo, não é um argumento bem sucedido. (Por que ele está minando seu próprio do argumento do mal??!)

Dr. Craig invocou a defesa livre arbítrio do  Plantinga para o problema do mal dedutivo. Liberdade nos permite fazer o mal. Deus poderia ter nos dado o livre arbítrio, sem mal e  sofrimento. Não vou mostrar como, mas eu só vou afirmar isso, porque os debates são um fórum ruim para fornecer evidência para minhas afirmações especulativas.

Se você responder a questão 3 + 5 como sendo 8, então você não tem livre arbítrio – você está biologicamente determinado, se você responder 8, porque todos respondem 8, e isto significa que todos estão determinados biologicamente, sem livre arbítrio.

Por que Deus não pode dar-nos o livre arbítrio e depois nos impedir de fazer uma escolha livre?

Nenhum estudioso data os evangelhos antes de 60-70 AD, especialmente os ateus como James Crossley que data Marcos em 40 AD. Portanto o sepultamento de Jesus não é histórico, como crê a maioria dos estudiosos em todo o amplo espectro de escolaridade que concordam que é.

Os documentos originais do Novo Testamento foram escritos em aramaico.

Todos os estudiosos do Novo Testamento são cristãos ortodoxos, como o ateu Robert Funk, por exemplo.

Discurso de encerramento Dr. Craig

Para sustentar o argumento dedutivo do mal, Dr. Rosenberg deve mostrar que Deus poderia criar um mundo de criaturas livres com menos mal.

Princípio da razão suficiente: não usar o princípio geral da razão suficiente, mas uma versão mais modesta que diz que coisas contingentes devem ter uma explicação para sua existência. E nós sabemos que o universo é um contingente.

O Novo Testamento não foi escrito em aramaico e sim em grego. Dr. Rosenberg está errado nisto também.

(Dr. Craig passa o resto de seu discurso de encerramento dando seu testemunho e exortando as pessoas a investigar o Novo Testamento).

Discurso de encerramento Dr. Rosenberg

Um cara morto a muito tempo, um francês chamado Laplace disse que não tem necessidade da hipótese (Deus). Quando ele disse isto ele não sabia sobre qualquer um dos argumentos que o Dr. Craig apresentou no debate desta noite, entanto.

Não há necessidade de explicar como o universo começou ou como o Universo está bem sintonizado, se você apenas assume o naturalismo metafísico em fé.

O coelhinho da Páscoa, portanto, o ateísmo.

A maioria dos cientistas são ateus, portanto, ateísmo.

Você pode fazer um monte de ciência sem Deus, só não olhe para a origem do universo, o ajuste fino do universo, ou as outras partes da ciência que Craig mencionou, bem como a origem da vida, a explosão cambriana, o argumento de habitabilidade, e assim por diante.

Você pode ser um cristão, mas bons cristãos não devem usar argumentos e provas.

Bons cristãos devem ser irracional e ignorante. Maus cristãos procuram argumentos e provas na ciência e história.

Bons cristãos deveriam abraçar o absurdo. Maus cristãos querem procurar a verdade e usar lógica e provas.

Fim da postagem do Wintery Knight

Resultado da votação:
1. Jurados: 4 x 2 Craig
2. Audiência: 1.390 x 303 Craig
3. Votação Online: 734 x 59 Craig

Alguns tuites engraçados, mas verdadeiros:

@doubtcast

William Lane Craig assassinou outro ateu que achava que  não precisa se preparar. # GODDebate próxima vez, gastar mais do que 4 minutos no google.

@CraigHazen
Pior resposta da noite – Rosenberg sobre a seleção natural e a origem dos valores universais. # GODdebate

@LeeStrobel
O debate Rosenberg / Craig faz-me lembrar: os cristãos têm uma vantagem injusta no mercado de idéias. Temos a verdade do nosso lado. # GODdebate

Comentários de Arthur Olinto

Quanto a estrutura do Debate:
O debate foi excelentemente organizado pela Purdue University, com apoio da universidade de Biola. A qualidade da transmissão foi muito boa e contava com a interação com usuários comentando ao vivo, via twitter. A hasttag #GODDebate chegou a ser a mais comentada da noite em todo o mundo! Comentários de toda a sorte no twitter animaram ainda mais o debate; tornando-o cada vez mais eletrizante.

Sobre a atuação do Rosenberg:
Dr. Rosenberg aparentava ser um ateu sério, mas ao decorrer no debate, recorreu a truques sujos, digno de um neo-ateu.

Primeiramente, ele usou uma série de argumentos ad hominem no começo do debate. Depois, utilizou vários apelos a maioria. Veio muito mal preparado para o debate. Por exemplo, ele usou um argumento na sua fala final, o que está passível de ser interpretado como covardia [ ou seria malandragem ? ], visto que seu oponente não teve chance de responder.

Rosenberg reclamou várias vezes sobre o formato do debate, o que é um non-sense. Ora, se ele estava ali, é porque tinha concordado com as regras do debate.

Sobre a atuação de Craig :
Craig, mais uma vez, deu amostras do seu enorme talento. Não é a toa que ele é considerado um dos maiores filósofos do nosso tempo. Veio altamente preparado para o debate. Ao contrário do seu habitual cinco argumentos para a existência de Deus, dessa vez ele usou 8 (!) argumentos, o que, aparentemente, pegou seu oponente de surpresa. Craig mostrou o quão frágeis são as bases do Naturalismo de Rosenberg, valendo-se do excelente trabalho de Alvin Plantinga sobre o assunto. Usou slides para sumarizar suas ideias, ao contrário de Rosenberg. O exímio trabalho de preparo de WLC rendeu bons frutos. Ele deixou o oponente totalmente desconcertado, visto que ele não conseguiu responder adequadamente as objeções levantadas. Além de ler todo o trabalho de Rosenberg, WLC chegou ao ponto de ler folhetos que estavam distribuindo antes do debate no Campus da universidade.

Conclusão : Foi uma vitória mais que merecida para WLC, que foi vitorioso em todos os estilos de votação ( Júri, presencial e online ), com a maioria esmagadora dos votos.

Piada: Uma história de Natal judaico …

jews_invest_jewish_finance_humor_button-p145979797209410871en8go_400A professora estava muito curiosa sobre como cada um de seus alunos celebravam a noite de Natal “Diga-me Patrick, o que você faz na véspera de Natal?”, perguntou ela.

Patrick dirigiu-se a classe. “Bem, professora, eu e meus 12 irmãos e irmãs vamos à missa da meia-noite e nós cantamos hinos, então voltamos para casa muito tarde e nós colocamos tortas pela porta de trás e penduramos nossas meias. Então, todos animados vamos para a cama e esperamos o Papai Noel vir com todos os nossos brinquedos. ”

“Patrick, muito bom. Agora Jimmy Brown, o que você faz?”

“Bem, professora, eu e minha irmã vamos à igreja com mamãe e papai e nós cantamos canções e e chegamos em casa já muito tarde. Nós colocamos biscoitos e leite pela chaminé e penduramos nossas meias. Nós quase não dormimos à espera do Papai Noel trazendo nossos presentes. ”

Lembrando que havia um menino judeu na classe e não querendo deixá-lo de fora da discussão, ela perguntou: “Agora, Jimmy Cohen, o que você faz na véspera de Natal?”

“Bem, professora, é a mesma coisa todos os anos. Meu pai chega em casa do escritório. Nós todos nos empilhamos no Rolls e ele o dirige até sua fábrica de brinquedos. Ao entrarmos olhamos para todas as prateleiras vazias e cantamos “Que amigo nós temos em Jesus”*. Então vamos para as Bahamas.”

* Referência a um hino cristão. Assista abaixo:

Cartilha Lógica 5: Falácias Lógicas

Original: Apologetics 315 (Brian Auten)
Tradução: Mike Moore
Obs: Os links da postagem original não possuem tradução para o português, adicionamos então alguns outros ao fim da postagem.

Hoje veremos falácias lógicas. A falácia é simplesmente um erro de pensamento. Alguns erros são tão comuns que foram classificados e nomeados. Estes são os tipos de falácias que estamos a tratar aqui.

Há duas categorias principais de falácias: Formais e informais. Falácias formais tem a ver com a estrutura lógica de um argumento. Se a estrutura lógica está incorreta, então o argumento cometeu uma falácia. Falácias informais têm a ver com erros de pensamento que acontecem além da estrutura de um argumento. Estas podem incluir coisas como apelo a emoções, ataques de caráter pessoal e linguagem ambígua.

Quando se trata de lógica informal, a tendência para o iniciante é a gravitar imediatamente para as falácias. Benefício imediato pode ser adquirido pelo entendimento de onde o pensamento pode ter dado errado. No entanto, o estudante de lógica é encorajado a tomar cuidado para não rotular todas aparentes falácias que eles podem encontrar. Isto é, não só descortês, em muitos casos, como também não é muito produtivo. Reconhecer falácias é apenas o primeiro passo. Mas trazer o pensamento apropriado e a clareza em  um problema pode ser o desafio real. Cada caso tem seus próprios elementos particulares, então mais informações são sempre úteis para determinar os pontos fortes e fracos dos argumentos.

Idealmente, quando uma falácia é reconhecida ela pode ser corrigida sem uma espécie de atitude “de peguei”. O princípio de caridade e de uma maneira graciosa são essenciais na busca de entendimento comum, em vez de simplesmente tornar-se um apontador-de-falácias.

Porque as falácias cobrem uma gama tão ampla, elas estão além do alcance de uma postagem. Além disso, muitos excelentes recursos podem ser encontrados na web para estudar as falácias. Embora muitos bons recursos são encontrados impressos, bons recursos de áudio são poucos. É por isso que nós fornecemos aqui uma adaptação em  podcast de áudio (inglês) do Guia de Stephen para falácias lógicas (inglês), um dos sites mais conhecidos sobre falácia na web. Permissão foi concedida pelo lógico Stephen Downes. A finalidade do podcast é apresentar e resumir as falácias e fornecem exemplos e soluções para os erros.

Você pode encontrar o podcast de Falácias Lógicas da Apologetics 315 no iTunes aqui . Ou utilize o feed RSS encontrado aqui. O podcast A Falacias Lógicas 2 ª Edição pode ser encontrado aqui .

O Guia de Stephen para Falácias Lógicas é encontrado aqui , com um bom site -espelho com conteúdo adicional acrescentado pelo filósofo cristão J.P. Moreland na Cartilha Ilógica aqui .

O Projeto Nizkor de 42 Falácias está aqui .

Áudio de Lógica e Falácias por Michael Ramsden pode ser encontrado aqui .

Livros úteis:
Nonsense (Bobagem) por Robert Gula
Lógica Informal por Douglas Walton

Adições do Blog A Razão da Esperança:
Categoria: Falácias Lógicas (Wikipedia)
Falácia (Wikipedia)
Dialética erística (Como vencer um debate sem precisar ter razão – em 38 estratagemas)

Aproveite.

Cartilha Lógica 4: Um Olhar Sobre a Língua

Original: Apologetics 315 (Brian Auten)
Tradução: Mike Moore

No estudo da lógica, a linguagem desempenha um papel fundamental. Clareza na linguagem é essencial, a fim de comunicar o significado preciso. O objetivo quando se olha para a linguagem é determinar a intenção da comunicação. Determinar a intenção ou o objetivo de sua comunicação e compreender a intenção da pessoa com a qual você está se comunicando é o primeiro passo crucial na obtenção de clareza.Linguagem, de acordo com Copi, pode servir três funções. A primeira função é a de transmitir informações. A segunda função é expressar emoções ou sentimentos. A terceira função é de provocar ou impedir uma ação. 1 Toda a comunicação vai se enquadrar nessas categorias. O orador está informando, expressando, ou dirigindo?Exatamente o que você está tentando comunicar? Escolha palavras e linguagem que sejam tão precisas e exatas quanto possível para transmitir esse significado. “Se o nosso objetivo é transmitir informações, e se quisermos evitar ser mal interpretado, devemos usar a língua com o menor impacto emotivo possível.” 2

Definição de palavras é a próxima parte crítica da comunicação clara. A comunicação muitas vezes fica confusa, porque as palavras e os significados são simplesmente obscuras, vagas, ambíguas, ou de outra forma confusas. Em resposta, um certo número de definições podem ser usados para trazer mais clareza de significado.

Em primeiro lugar, as definições lexicais são usadas ​​para definir palavras que já são  geralmente conhecidas. Isso elimina a ambigüidade na comunicação pela simples citação da definição comum de uma palavra em uso. Segundo, definições estipulativas age para atribuir um significado especial para termos recentemente introduzidos no diálogo. Mais uma vez, este tipo de definição elimina a ambigüidade. Ela simplesmente atribui (estipula) uma definição para um termo novo que está sendo usado. Um terceiro método de clarificação de linguagem é a definição precisa, o que reduz a imprecisão, trazendo um significado mais específico para um termo. Este tipo de definição aumenta a precisão e exatidão.

Outros tipos de definições podem ser apresentadas, mas para os nossos propósitos será suficiente simplesmente apontar que a definição dos termos é de extrema importância quando se pretende comunicar de forma clara e pensar logicamente. Quando a linguagem é clara e os termos são claramente compreendidos, então, os argumentos podem ser avaliados.

Esclarecer através de perguntas é outra parte crucial de uma boa comunicação. Em um diálogo, é comum que as palavras e frases usadas ​​podem ser compreendidas de  um certo número de maneiras diferentes. Se alguém diz que algo foi “interessante”, o significado aqui poderia ser difícil de discernir. É insuficiente para acrescentar descrição. Será que a pessoa quer dizer que não gostou? Ela quer dizer que foi atraída? Esta palavra é vaga.

Quando palavras vagas são usados, questão de esclarecimento: “O que você quer dizer?” “O ​​que você quer dizer com isso?” E “Você poderia explicar?” Adicionam mais profundidade e detalhes à comunicação.
Quando alguém usa palavras que podem ser tomadas de diferentes maneiras, suas palavras são ambíguas. Se alguém descreve um concerto como “ruim”, eles querem dizer “legal” ou “não é bom?” É claro que, na comunicação verbal pessoal o significado normalmente pode ser facilmente percebido a partir do contexto, tom e linguagem corporal do comunicador. No entanto, na comunicação escrita, tais indicadores estão ausentes. Estamos dependentes só do contexto para discernir o significado. É por isso que a clareza é essencial.

Outra variante do uso ambíguo de palavras é o equívoco. Isso acontece quando o comunicador usa uma palavra particular X com o significado Y, mas depois usa X com significado Z. Por exemplo, pode-se usar o termo evolução no sentido de “mudança ao longo do tempo”, mas, mais tarde, no discurso o significado mudou com “moléculas ao homem.” Quando alguém faz a pergunta, “você acredita na evolução?” é importante eliminar a ambigüidade e definir o uso da palavra na conversa, a fim de evitar equívocos e confusão.

Anfíbólo acontece quando uma frase é dita (ou escrita) de maneira ambígua. Por exemplo, a frase: “O Oráculo de Delos disse a Croseus que se ele continuasse a guerra destruiria um reino poderoso.” 3 é um anfíbolo por causa da ambigüidade na construção gramatical. O comunicador claro evita ambigüidade.

A regra de ouro como um ouvinte é fazer perguntas de esclarecimento sempre que você não tiver certeza do significado, se a comunicação não é clara, e quando você precisar de mais informações. Se você é o comunicador, procure o máximo de clareza possível, de modo que o seu significado de sua mensagem seja compreendida. Comunicação clara é essencial para a compreensão exata.

Aqui estão alguns recursos para você se aprofundar:

Recursos de áudio:
– Critical Thinking curso de áudio

Livros úteis:
– Asking the Right Questions por Browne & Keeley
– Informal Logic por Douglas Walton

Sites da Web sobre este tema:
Critical Thinking Web
– O pensamento crítico na wikipedia
Critical Thinking on the Web

Na próxima postagem veremos Falácias Lógicas.

1 Geisler and Brooks, pp. 72-73.
2 Ibid., p. 96.
3 Robert J. Gula, Nonsense: A Handbook of Logical Fallacies (Mount Jackson, VA: Axios Press, 2002), p. 91.

Os Evangelhos Bíblicos são Confiáveis? As Traduções – Parte 3

Nesta terceira e última parte da nossa série abordaremos a questão das traduções bíblicas. Uma dúvida ou objeção muito comum é sobre a confiabilidade das traduções. Numa outra postagem desta série já vimos que as traduções de qualidade são feitas diretamente das línguas originais: o hebraico, o aramaico e o grego.

Porém muitas dúvidas podem persistir. Essas línguas são muito diferentes do português, os textos foram escritos entre dois mil a três mil e quinhentos anos atrás e para uma cultura muito diferente da nossa. Afinal podemos ou não confiar nas traduções?

Neste vídeo a seguir o Dr Augustus Nicodemus explica como são feitas as traduções. Ele é formado em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Norte, de Recife, mestre em Novo Testamento pela Universidade Reformada de Potchefstroom (África do Sul), doutor em Interpretação Bíblica pelo Seminário Teológico de Westminster (EUA), com estudos no Seminário Reformado de Kampen (Holanda). Foi professor e diretor do Seminário Presbiteriano do Norte (1985-1991), professor de exegese do Seminário José Manuel da Conceição (JMC) em São Paulo, professor de Novo Testamento do Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper (1995-2001), pastor da Primeira Igreja Presbiteriana do Recife (1989-1991) e pastor da Igreja Evangélica Suíça de São Paulo (1995-2001). Atualmente é pastor auxiliar da Igreja Presbiteriana de Santo Amaro, em São Paulo, SP.

Os Evangelhos Bíblicos são Confiáveis? A Preservação – Parte 2

Em Defesa de CristoDando seguimento a nossa série de 3 postagens sobre o confiabilidade dos evangelhos Bíblicos iremos abordar agora a questão da preservação. Não basta saber que eles foram escritos em prazo de tempo pequeno em termos históricos. Precisamos também nos perguntar: O material original foi preservado ao longo dos séculos ou  sofreu alguma alteração substancial proposital ou acidental?

Novamente nos valemos do excelente trabalho de jornalismo investigativo realizado pelo ex ateu Lee Strobel, que trabalhou para o Chicago Tribune.

Lee entrevista agora o Dr Bruce M. Metzger. Mas primeiro uma breve biografia do Dr Metzger.

bruce-metzgerNo total, Metzger escreveu  ou  editou  50  livros,  dentre  eles  The  New  Testament:  its background,  growth,  and  content  [O  Novo  Testamento:  seu  cenário, desenvolvimento e conteúdo]; The text of the New Testament [O texto do Novo Testamento]; The canon of the New Testament [O cânon do Novo Testamento];  Manuscripts  of  the  GreekBible  [Manuscritos  da  Bíblia grega];  Textual  commentary on the Greek New Testament  [Comentário textual  sobre o Novo Testamento grego];  Introduction to the apocrypha [Introdução aos apócrifos]  e The Oxford companion to the Bible [O guia bíblico  Oxford].  Muitos  desses  livros  foram traduzidos  para  o  alemão, chinês, japonês, coreano, malaio e outras línguas. Ele é também co-editor da  The new Oxford annotated Bible with the apocrypha [A nova Bíblia Oxford anotada com os apócrifos] e editor geral de mais de 25 volumes da série New Testament tools and studies [O Novo Testamento: ferramentas e estudos].

Metzger é mestre pelo Seminário e pela Universidade de Princeton, onde fez também seu doutorado. É doutor honorário por cinco faculdades e universidades,  dentre  elas  a  St.  Andrews  University,  da  Escócia,  a Universidade de Munster,  na Alemanha, e a Potchefstroom, da África do Sul.

Em 1969,  foi  professor  na  Tyndale  House,  em Cambridge,  Inglaterra. Também lecionou em Clare Hall, Universidade de Cambridge, em 1974, e no Wolfson College, em Oxford, em 1979. Atualmente é professor emérito do Seminário Teológico de Princeton, depois de uma carreira de 46 anos ensinando o Novo Testamento.

Metzger  é  presidente  do  Comitê  responsável  pela  New revised standard version [Nova versão-padrão revisada] da Bíblia, colaborador da Academia Britânica e membro do Kuratorium do Instituto Vetus Latina, do mosteiro  de  Beuron,  na  Alemanha.  Foi  presidente  da  Sociedade  de Literatura  Bíblica,  da  Sociedade  Internacional  para  Estudos  do  Novo Testamento e da Sociedade Patrística Norte-Americana.

Se olharmos as notas de rodapé de qualquer livro de prestígio sobre o Novo Testamento, é bem provável que encontremos o nome de Metzger inúmeras vezes. Seus livros são leitura obrigatória nas universidades e nos seminários do mundo todo. Ele é altamente respeitado por estudiosos de confissões teológicas bem amplas e diversas.

Feita a apresentação vamos ver a resposta do Dr Metzger a pergunta: Como podemos ter certeza de que as biografias de Jesus chegaram até nós bem preservadas?

Cópias de cópias de cópias
— Para ser sincero com o senhor — eu disse a Metzger —, quando soube  que  não  havia  nenhum exemplar  original  do  Novo Testamento, fiquei muito cético. Se tudo que temos são cópias de cópias, pensei, como ter  certeza  de  que  o  Novo Testamento  que  temos  hoje  é,  no  mínimo, semelhante aos escritos originais? Como o senhor responderia a isso?

— Não é só a Bíblia que está nessa situação, outros documentos antigos  que  chegaram até  nós  também  estão  — replicou  ele.  — A vantagem do Novo Testamento,  principalmente  quando comparado com outros escritos antigos, é que muitas cópias sobreviveram.

— Qual a importância disso? — perguntei.

— Bem, quanto maior o número de cópias em harmonia umas com as outras, sobretudo se provêm de áreas geográficas diferentes, tanto maior a possibilidade de confrontá-las, o que nos permite visualizar como seriam os documentos originais. A única forma possível de harmonizá-los seria pela  ascendência  de  todos  eles  à  mesma  árvore  genealógica  que representaria a descendência dos manuscritos.

— Muito bem — eu disse —, compreendi por que é importante que existam várias  cópias.  Mas e quanto à  idade dos documentos?  Não há dúvida de que isso também é importante, não é verdade?

— Exatamente  — respondeu  Metzger  —, mas  esse  elemento  é outro dado que favorece o Novo Testamento. Temos cópias que datam de algumas gerações posteriores ao escrito  dos originais, ao passo que, no caso de outros textos antigos, talvez cinco, oito ou dez séculos tenham se passado entre o original e as cópias mais antigas que sobreviveram. Além dos  manuscritos  gregos, temos também a tradução dos  evangelhos para outras línguas numa época relativamente antiga: para o latim, o siríaco e o copta. Além disso, temos o que podemos chamar de traduções secundárias feitas  pouco depois, como a armênia e a gótica.  Há várias outras além dessas: a georgiana, a etíope e uma grande variedade.

— De que forma isso nos ajuda?

—Mesmo que não tivéssemos nenhum manuscrito grego hoje, se juntássemos as informações fornecidas por essas traduções que remontam a um período muito antigo, seria possível reproduzir o conteúdo do Novo Testamento.  Além disso, mesmo que perdêssemos todos os manuscritos gregos  e  as  traduções  mais  antigas,  ainda  seria  possível  reproduzir  o conteúdo do Novo Testamento com base na multiplicidade de citações e comentários, sermões, cartas etc. dos antigos pais da igreja.

Embora  fosse  impressionante,  era  difícil  julgar  tal  prova isoladamente.  Eu  precisava  de  algum contexto  para  avaliar  melhor  a singularidade do Novo Testamento. De que maneira,  eu me perguntava, podemos compará-lo a outras obras bem conhecidas da Antigüidade?

Uma montanha de manuscritos
— Quando  o  senhor  fala  da  multiplicidade  de  manuscritos  — prossegui  —,  de  que  modo  isso  contrasta  com outros  livros  antigos normalmente reputados pelos eruditos por confiáveis? Por exemplo, faleme de escritos de autores da época de Jesus.

Metzger  consultou  algumas  anotações  à  mão  que  tinha  trazido, prevendo minha pergunta.

— Veja  o caso de Tácito,  o historiador romano que escreveu os Anais  por volta de 116 d.C. — começou. — Seus primeiros seis  livros existem hoje em apenas um manuscrito, copiado mais ou menos em 850 d.C. Os livros 11 a 16 estão em outro manuscrito do século xi. Os livros 7 a 10 estão perdidos. Portanto, há um intervalo muito longo entre o tempo em que  Tácito  colheu  suas  informações  e  as  escreveu  e  as  únicas  cópias
existentes.  Com relação  a  Josefo,  historiador  do  século  I,  temos  nove manuscritos gregos de sua obra Guerra dos judeus, todos eles cópias feitas  nos  séculos X a XII.  Existe uma tradução latina do século IV e textos russos dos séculos XI ou XII.

Eram números impressionantes,  sem dúvida.  Existe  apenas  uma seqüência  muito  tênue  de  manuscritos  ligando  essas  obras  antigas  ao mundo moderno.

— Só para comparar — perguntei —, quantos manuscritos do Novo Testamento grego existem ainda hoje?

Metzger arregalou os olhos.

— Há  mais  de  5  mil  catalogados  — disse  ele  entusiasmado, erguendo a voz em uma oitava.

Isso equivalia a uma montanha de manuscritos, se comparado com os formigueiros de Tácito e Josefo!

— Isso  é  incomum no  mundo  antigo?  Qual  seria  o  segundo colocado? — perguntei.

—  O  volume  de  material  do  Novo  Testamento  é  quase constrangedor em relação a outras obras da Antigüidade — disse ele. — O que mais se aproxima é a Ilíada de Homero, que era a bíblia dos antigos gregos.  Há menos  de 650 manuscritos  hoje  em dia.  Alguns  são  muito fragmentários. Eles chegaram a nós a partir dos séculos 11 e m d.C. Se levarmos em conta que Homero redigiu seu épico em aproximadamente
800 a.C, veremos que o intervalo é bastante longo.

“Bastante longo” era eufemismo; estávamos falando em mil anos! De fato,  não  havia  comparação:  a  existência  de  manuscritos  do  Novo Testamento constituía uma prova surpreendente quando justaposta a outros escritos respeitados da Antigüidade — obras que os estudiosos modernos não relutam de forma alguma em considerar autênticas.

Minha  curiosidade  em  relação  aos  manuscritos  do  Novo Testamento fora despertada. Pedi a Metzger que me descrevesse alguns deles.

— Os mais antigos são fragmentos de papiros, que era um tipo de material para escrita feito da planta do papiro que crescia às margens do delta  do  Nilo,  no  Egito  — disse  Metzger.  — Existem atualmente  99 fragmentos  de papiros com uma ou mais  passagens ou livros  do Novo Testamento.  Os mais  importantes já  descobertos são os papiros Chester Beatty, achados por volta de 1930. Destes, o número 1 apresenta partes dos quatro evangelhos e do livro de Atos, datando do século III d.C. O papiro número 2 contém grandes porções de oito cartas de Paulo além de trechos de  Hebreus,  e  a  data  gira  em torno  de  200  d.C.  O papiro  número  3 compreende uma seção enorme do livro de Apocalipse, com data do século III  d.C.  Um outro  grupo  de  manuscritos  de  papiros  importantes  foi comprado por um bibliófilo suíço, Martin Bodmer. O mais antigo deles, de aproximadamente 200 d.C, contém cerca de dois terços do evangelho de João. Um outro papiro, com partes dos evangelhos de Lucas e João, é do século III d.C.

A essa altura, o intervalo entre a escrita das biografias de Jesus e os manuscritos mais antigos revelava-se extremamente pequeno. Mas qual é o manuscrito  mais  antigo?  Será  que  é  possível  chegar  aos  manuscritos originais, que os especialistas chamam de “autógrafos”?

O refugo que mudou a história
— De todo o Novo Testamento — eu disse —, qual é a parte mais antiga que temos hoje?

Metzger não precisou refletir para responder.

— Um fragmento do evangelho de João com parte do capítulo 18. Tem cinco versículos, três de um lado, dois de outro e mede cerca de 6,5 por nove centímetros — disse Metzger.

— Como foi descoberto?

— Foi  comprado  no  Egito  em 1920,  mas  passou  despercebido durante anos em meio a outros fragmentos de papiros semelhantes. Em 1934, porém, C. H. Roberts, do Saint Johris College, de Oxford, trabalhava na classificação de papiros na Biblioteca John Rylands, em Manchester, na Inglaterra, quando percebeu imediatamente que havia deparado com um papiro em que se achava preservado um trecho do evangelho de João. Peloestilo da escrita, ele foi capaz de datá-lo.

— E a que conclusão ele chegou? — perguntei. — É muito antigo?

— Ele concluiu que o manuscrito era de cerca de 100 a 150 d.C. Muitos outros paleógrafos famosos, como sir Frederic Kenyon, sir Harold Bell,  Adolf  Deissmann,  W.  H.  P.  Hatch,  Ulrich  Wilcken  e  outros, concordam com sua  avaliação.  Deissmann estava  convencido  de que o manuscrito remontava pelo menos ao reinado do imperador Adriano, nos anos 117 a 138 d.C, ou até mesmo ao do imperador Trajano, entre os anos
98 e 117 d.C.

Era uma descoberta formidável, porque os teólogos alemães céticos do século passado haviam postulado enfaticamente que o quarto evangelho não fora redigido pelo menos até o ano 160 — numa época já bem distante dos  eventos  do tempo de  Jesus  para  que  pudesse  ter  alguma  utilidade  histórica. Com isso, influenciaram gerações de estudiosos, que zombavam da confiabilidade desse evangelho.

— Isso sem dúvida põe fim à essa teoria — comentei.

— Realmente  — disse  Metzger.  — Temos  aqui  um fragmento muito antigo do evangelho de João proveniente de uma comunidade das margens do rio Nilo, no Egito, muito distante de Éfeso, na Ásia Menor, onde o evangelho provavelmente foi escrito.
Essa  descoberta  fez  com  que  as  pontos  de  vista  populares  da história  fossem revistos,  colocando  o  evangelho  de  João  muito  mais próximo dos dias  em que Jesus  caminhou pela terra.  Tomei  nota disso mentalmente  para  perguntar  depois  a  um arqueólogo  se  havia  outras descobertas que pudessem respaldar nossa confiança no quarto evangelho.

Uma abundância de provas
Embora  os  manuscritos  de  papiros  constituam as  cópias  mais antigas do Novo Testamento, existem também cópias antigas escritas em pergaminhos, feitos de pele de gado, ovelhas, cabras e antílopes.

— Temos os chamados manuscritos unciais, escritos inteiramente em letras  gregas  maiúsculas  — Metzger  explicou.  — Temos hoje  306 exemplares, muitos dos quais remontam ao início do século III. Os mais importantes são o Códice sinaítico, que é o único com o Novo Testamento completo  em letras  unciais,  e  o  Códice  Vaticano,  bastante  incompleto. Ambos são de cerca de 350 d.C. Um novo estilo de escritura, de natureza mais cursiva, emergiu por volta de 800 d.C. É chamado de minúscula, e há
cerca de 2 856 manuscritos  desse tipo.  Há também os lecionários,  que contêm as Escrituras do Novo Testamento na seqüência de leitura prescrita pela igreja primitiva em determinadas épocas do ano. Um total de 2 403 desses  manuscritos  já  foram catalogados.  Com isso,  o  total  geral  de manuscritos gregos chega a 5 664.

De acordo  com Metzger,  além dos  documentos  gregos  existem milhares de outros  manuscritos  antigos  do Novo Testamento em outras línguas. Existem entre 8 e 10 mil manuscritos da Vulgata latina, mais um total de 8 mil em etíope, eslavo antigo e armênio. No total, há cerca de 24 mil manuscritos.

— Qual a sua opinião diante  disso?  — perguntei-lhe,  buscando confirmar claramente  o que julgava  ter  ouvido.  — No que se refere  à multiplicidade de manuscritos e ao intervalo de tempo entre os originais e  nossos primeiros exemplares, qual a situação do Novo Testamento perante outras obras bem conhecidas da Antigüidade?

— Muito boa — respondeu ele. — Podemos confiar imensamente na  fidelidade  do  material  que  chegou  até  nós,  principalmente  se  o compararmos a qualquer outra obra literária antiga.

Essa conclusão é compartilhada por estudiosos eminentes de todo o mundo. De acordo com o falecido F. F. Bruce, autor de Merece confiança o Novo Testamento?, “no mundo não há qualquer corpo de literatura antiga que, à semelhança do Novo Testamento, desfrute uma tão grande riqueza de confirmação textual”. 16

Metzger já mencionara o nome de sir  Frederic Kenyon, ex-diretor do  Museu  Britânico  e  autor  de  The  paleography  of  Greek  papyrí  [A paleografia  dos  papiros  gregos].  Segundo  Kenyon,  “em nenhum outro caso  o  intervalo  de  tempo entre  a  composição  do  livro  e  a  data  dos manuscritos  mais  antigos  são  tão  próximos  como  no  caso  do  Novo Testamento”. 17

Sua conclusão: “Não resta agora mais nenhuma dúvida de que as Escrituras  chegaram até  nós  praticamente  com o mesmo conteúdo  dos escritos originais”. 18

Mas, e as discrepâncias entre os vários manuscritos? No tempo em que não havia ainda as velozes máquinas fotocopia-doras, os manuscritos eram laboriosamente copiados à mão por escribas, letra por letra, palavra por palavra, linha por linha, num processo muito propício a erros. Queria muito  saber  agora  se  esses  erros  dos  copistas  tinham  introduzido imprecisões irremediáveis nas Bíblias de hoje.

Examinando os erros
— Dada a semelhança de escrita das letras gregas — eu disse — e as condições primitivas nas quais trabalhavam os escribas, era grande a possibilidade de que eles introduzissem erros nos textos.

— Exato — concordou Metzger.

— Então  é  provável  que  existam  milhares  de  variações  nos manuscritos antigos que possuímos, não é mesmo?

— Exato.

— Isso  significa  então  que  não  podemos  confiar  neles?  — perguntei num tom mais de acusação que de interrogação.

— Não, senhor,  não significa que não podemos confiar neles — respondeu Metzger categoricamente. — Em primeiro lugar,  os óculos só foram inventados em 1373, em Veneza. Tenho certeza de que muitos dos antigos  escribas  sofriam  de  astigmatismo.  Acrescente-se  a  isso  a dificuldade que era, independentemente das circunstâncias, ler manuscritos já  apagados,  cuja  tinta  havia  perdido  a  nitidez.  Havia  também outros
perigos — falta de atenção da parte dos escribas, por exemplo. Portanto, embora  a  maior  parte  dos  escribas  fosse  escrupulosamente  cuidadosa, alguns erros acabavam passando.

Mas— Metzger estava pronto a acrescentar — há outros fatos que compensam isso. Por exemplo, às vezes a memória do escriba pregava-lhe peças. Entre olhar o que tinha de copiar e, em seguida, escrever o que lera, ele podia acabar mudando a ordem das palavras. Ele escrevia exatamente as palavras que lera, porém na seqüência errada. Isso não deve ser motivo para se alarme,  já  que o grego, ao contrário de outras línguas,  como o inglês ou o português, é uma língua que admite flexões.

— Isso quer dizer que… — interrompi.

— Que faz uma enorme diferença em português se você disser: “O cachorro morde o homem” ou: “O homem morde o cachorro”. A ordem das palavras é importante em português, mas não no grego. Uma palavra pode funcionar  como  sujeito  da  oração  independentemente  de  onde  esteja colocada. Conseqüentemente, o significado da oração não fica truncado se as  palavras  não  estiverem na  ordem que  consideramos  correta.  Existe, portanto, uma certa variação entre um manuscrito e outro, mas, em geral, são variações de somenos importância. As diferenças de grafia seriam um
outro exemplo.

Mesmo assim, o número de “variações” ou de “diferenças” entre os manuscritos  era  preocupante.  Eu já  tinha  visto  algumas  estimativas  da ordem  de  200  mil  variações. 19

Metzger,  contudo,  não  deu  muita importância a essa quantidade.

— O número  parece  grande,  mas  engana um pouco pelo modo como as variações são computadas — disse ele, explicando que, se uma  única  palavra  for  escrita  incorretamente  em  2  mil  manuscritos, contabilizam-se 2 mil variações.

Concentrei-me na questão mais importante.

— Quantas  doutrinas  da  igreja  estão  em  risco  por  causa  das variações?

— Não sei de nenhuma doutrina que esteja em risco — respondeu ele com convicção.

— Nenhuma?

— Nenhuma — ele repetiu. — Os testemunhas-de-jeová batem à sua porta e lhe dizem: “Sua Bíblia está errada em 1João 5.7,8, onde se lê: ‘o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um’ (NVI, nota de rodapé). Eles dirão que não é assim que esse texto aparece nos manuscritos mais antigos. E é verdade mesmo.  Acho que essas  palavras só aparecem em cerca de sete ou oito cópias, todas dos séculos XV ou XVI. Admito que
esse texto não faz parte do que o autor de 1João foi inspirado a escrever. Isso,  porém,  não  invalida  o  testemunho  sólido  da  Bíblia  acerca  da Trindade. No batismo de Jesus, o Pai fala, seu Filho amado é batizado e o Espírito Santo desce sobre ele. No final de 2Coríntios, Paulo diz: “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos  vocês”.  A Trindade  aparece  representada  em muitos
lugares.

— Então as variações, sempre que ocorrem,  normalmente são de importância secundária, e não primordial?

— Sim,  sim,  é  isso  mesmo.  Os  estudiosos  trabalham  muito cuidadosamente  para tentar  solucioná-las,  devolvendo-lhes o significado original. As variações mais significativas não solapam nenhuma doutrina da igreja.  Qualquer Bíblia que se preza vem com notas que indicam as variações de texto mais importantes. Mas, como eu já disse, esses casos são raros.

São tão raros que estudiosos como Norman Geisler e William Nix chegaram à seguinte conclusão: “… o Novo Testamento não só sobreviveu em um número maior  de manuscrito,  mais  que qualquer outro livro  da Antigüidade, mas sobreviveu em forma muito mais pura (99,5% de pureza) que qualquer outra obra grandiosa, sagrada ou não”.
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Próxima Parte: Parte 3 – As Traduções – Os Evangelhos Bíblicos são Confiáveis?

Referências
16 F. F. BRUCE, The books and the parchments, Old Tappan, Revell, 1963, p. 178, ap. Josh MCDOWELL, Evidência que exige um veredito, 2. ed., São Paulo, Candeia, p. 53.
17 Frederic KENYON, Handbook to the textual criticism of the New Testament, New York,
Macmillan, 1912, p. 5,ap. Ross CLIFFORD, The case for the empty tomb, Claremont,
Albatross, 1991, p. 33.
18  Frederic KENYON, The Bible And Archaeology, New York, Harper, 1940, p. 288.
19  Norman L. GEISLER & William E. Nix, Introdução bíblica: como a Bíblia chegou até
nós, São Paulo, Vida, 1997, p. 172.
20 Ibid., p. 176