Os Evangelhos Bíblicos são Confiáveis? As Traduções – Parte 3

Nesta terceira e última parte da nossa série abordaremos a questão das traduções bíblicas. Uma dúvida ou objeção muito comum é sobre a confiabilidade das traduções. Numa outra postagem desta série já vimos que as traduções de qualidade são feitas diretamente das línguas originais: o hebraico, o aramaico e o grego.

Porém muitas dúvidas podem persistir. Essas línguas são muito diferentes do português, os textos foram escritos entre dois mil a três mil e quinhentos anos atrás e para uma cultura muito diferente da nossa. Afinal podemos ou não confiar nas traduções?

Neste vídeo a seguir o Dr Augustus Nicodemus explica como são feitas as traduções. Ele é formado em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Norte, de Recife, mestre em Novo Testamento pela Universidade Reformada de Potchefstroom (África do Sul), doutor em Interpretação Bíblica pelo Seminário Teológico de Westminster (EUA), com estudos no Seminário Reformado de Kampen (Holanda). Foi professor e diretor do Seminário Presbiteriano do Norte (1985-1991), professor de exegese do Seminário José Manuel da Conceição (JMC) em São Paulo, professor de Novo Testamento do Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper (1995-2001), pastor da Primeira Igreja Presbiteriana do Recife (1989-1991) e pastor da Igreja Evangélica Suíça de São Paulo (1995-2001). Atualmente é pastor auxiliar da Igreja Presbiteriana de Santo Amaro, em São Paulo, SP.

Os Evangelhos Bíblicos são Confiáveis? A Preservação – Parte 2

Em Defesa de CristoDando seguimento a nossa série de 3 postagens sobre o confiabilidade dos evangelhos Bíblicos iremos abordar agora a questão da preservação. Não basta saber que eles foram escritos em prazo de tempo pequeno em termos históricos. Precisamos também nos perguntar: O material original foi preservado ao longo dos séculos ou  sofreu alguma alteração substancial proposital ou acidental?

Novamente nos valemos do excelente trabalho de jornalismo investigativo realizado pelo ex ateu Lee Strobel, que trabalhou para o Chicago Tribune.

Lee entrevista agora o Dr Bruce M. Metzger. Mas primeiro uma breve biografia do Dr Metzger.

bruce-metzgerNo total, Metzger escreveu  ou  editou  50  livros,  dentre  eles  The  New  Testament:  its background,  growth,  and  content  [O  Novo  Testamento:  seu  cenário, desenvolvimento e conteúdo]; The text of the New Testament [O texto do Novo Testamento]; The canon of the New Testament [O cânon do Novo Testamento];  Manuscripts  of  the  GreekBible  [Manuscritos  da  Bíblia grega];  Textual  commentary on the Greek New Testament  [Comentário textual  sobre o Novo Testamento grego];  Introduction to the apocrypha [Introdução aos apócrifos]  e The Oxford companion to the Bible [O guia bíblico  Oxford].  Muitos  desses  livros  foram traduzidos  para  o  alemão, chinês, japonês, coreano, malaio e outras línguas. Ele é também co-editor da  The new Oxford annotated Bible with the apocrypha [A nova Bíblia Oxford anotada com os apócrifos] e editor geral de mais de 25 volumes da série New Testament tools and studies [O Novo Testamento: ferramentas e estudos].

Metzger é mestre pelo Seminário e pela Universidade de Princeton, onde fez também seu doutorado. É doutor honorário por cinco faculdades e universidades,  dentre  elas  a  St.  Andrews  University,  da  Escócia,  a Universidade de Munster,  na Alemanha, e a Potchefstroom, da África do Sul.

Em 1969,  foi  professor  na  Tyndale  House,  em Cambridge,  Inglaterra. Também lecionou em Clare Hall, Universidade de Cambridge, em 1974, e no Wolfson College, em Oxford, em 1979. Atualmente é professor emérito do Seminário Teológico de Princeton, depois de uma carreira de 46 anos ensinando o Novo Testamento.

Metzger  é  presidente  do  Comitê  responsável  pela  New revised standard version [Nova versão-padrão revisada] da Bíblia, colaborador da Academia Britânica e membro do Kuratorium do Instituto Vetus Latina, do mosteiro  de  Beuron,  na  Alemanha.  Foi  presidente  da  Sociedade  de Literatura  Bíblica,  da  Sociedade  Internacional  para  Estudos  do  Novo Testamento e da Sociedade Patrística Norte-Americana.

Se olharmos as notas de rodapé de qualquer livro de prestígio sobre o Novo Testamento, é bem provável que encontremos o nome de Metzger inúmeras vezes. Seus livros são leitura obrigatória nas universidades e nos seminários do mundo todo. Ele é altamente respeitado por estudiosos de confissões teológicas bem amplas e diversas.

Feita a apresentação vamos ver a resposta do Dr Metzger a pergunta: Como podemos ter certeza de que as biografias de Jesus chegaram até nós bem preservadas?

Cópias de cópias de cópias
— Para ser sincero com o senhor — eu disse a Metzger —, quando soube  que  não  havia  nenhum exemplar  original  do  Novo Testamento, fiquei muito cético. Se tudo que temos são cópias de cópias, pensei, como ter  certeza  de  que  o  Novo Testamento  que  temos  hoje  é,  no  mínimo, semelhante aos escritos originais? Como o senhor responderia a isso?

— Não é só a Bíblia que está nessa situação, outros documentos antigos  que  chegaram até  nós  também  estão  — replicou  ele.  — A vantagem do Novo Testamento,  principalmente  quando comparado com outros escritos antigos, é que muitas cópias sobreviveram.

— Qual a importância disso? — perguntei.

— Bem, quanto maior o número de cópias em harmonia umas com as outras, sobretudo se provêm de áreas geográficas diferentes, tanto maior a possibilidade de confrontá-las, o que nos permite visualizar como seriam os documentos originais. A única forma possível de harmonizá-los seria pela  ascendência  de  todos  eles  à  mesma  árvore  genealógica  que representaria a descendência dos manuscritos.

— Muito bem — eu disse —, compreendi por que é importante que existam várias  cópias.  Mas e quanto à  idade dos documentos?  Não há dúvida de que isso também é importante, não é verdade?

— Exatamente  — respondeu  Metzger  —, mas  esse  elemento  é outro dado que favorece o Novo Testamento. Temos cópias que datam de algumas gerações posteriores ao escrito  dos originais, ao passo que, no caso de outros textos antigos, talvez cinco, oito ou dez séculos tenham se passado entre o original e as cópias mais antigas que sobreviveram. Além dos  manuscritos  gregos, temos também a tradução dos  evangelhos para outras línguas numa época relativamente antiga: para o latim, o siríaco e o copta. Além disso, temos o que podemos chamar de traduções secundárias feitas  pouco depois, como a armênia e a gótica.  Há várias outras além dessas: a georgiana, a etíope e uma grande variedade.

— De que forma isso nos ajuda?

—Mesmo que não tivéssemos nenhum manuscrito grego hoje, se juntássemos as informações fornecidas por essas traduções que remontam a um período muito antigo, seria possível reproduzir o conteúdo do Novo Testamento.  Além disso, mesmo que perdêssemos todos os manuscritos gregos  e  as  traduções  mais  antigas,  ainda  seria  possível  reproduzir  o conteúdo do Novo Testamento com base na multiplicidade de citações e comentários, sermões, cartas etc. dos antigos pais da igreja.

Embora  fosse  impressionante,  era  difícil  julgar  tal  prova isoladamente.  Eu  precisava  de  algum contexto  para  avaliar  melhor  a singularidade do Novo Testamento. De que maneira,  eu me perguntava, podemos compará-lo a outras obras bem conhecidas da Antigüidade?

Uma montanha de manuscritos
— Quando  o  senhor  fala  da  multiplicidade  de  manuscritos  — prossegui  —,  de  que  modo  isso  contrasta  com outros  livros  antigos normalmente reputados pelos eruditos por confiáveis? Por exemplo, faleme de escritos de autores da época de Jesus.

Metzger  consultou  algumas  anotações  à  mão  que  tinha  trazido, prevendo minha pergunta.

— Veja  o caso de Tácito,  o historiador romano que escreveu os Anais  por volta de 116 d.C. — começou. — Seus primeiros seis  livros existem hoje em apenas um manuscrito, copiado mais ou menos em 850 d.C. Os livros 11 a 16 estão em outro manuscrito do século xi. Os livros 7 a 10 estão perdidos. Portanto, há um intervalo muito longo entre o tempo em que  Tácito  colheu  suas  informações  e  as  escreveu  e  as  únicas  cópias
existentes.  Com relação  a  Josefo,  historiador  do  século  I,  temos  nove manuscritos gregos de sua obra Guerra dos judeus, todos eles cópias feitas  nos  séculos X a XII.  Existe uma tradução latina do século IV e textos russos dos séculos XI ou XII.

Eram números impressionantes,  sem dúvida.  Existe  apenas  uma seqüência  muito  tênue  de  manuscritos  ligando  essas  obras  antigas  ao mundo moderno.

— Só para comparar — perguntei —, quantos manuscritos do Novo Testamento grego existem ainda hoje?

Metzger arregalou os olhos.

— Há  mais  de  5  mil  catalogados  — disse  ele  entusiasmado, erguendo a voz em uma oitava.

Isso equivalia a uma montanha de manuscritos, se comparado com os formigueiros de Tácito e Josefo!

— Isso  é  incomum no  mundo  antigo?  Qual  seria  o  segundo colocado? — perguntei.

—  O  volume  de  material  do  Novo  Testamento  é  quase constrangedor em relação a outras obras da Antigüidade — disse ele. — O que mais se aproxima é a Ilíada de Homero, que era a bíblia dos antigos gregos.  Há menos  de 650 manuscritos  hoje  em dia.  Alguns  são  muito fragmentários. Eles chegaram a nós a partir dos séculos 11 e m d.C. Se levarmos em conta que Homero redigiu seu épico em aproximadamente
800 a.C, veremos que o intervalo é bastante longo.

“Bastante longo” era eufemismo; estávamos falando em mil anos! De fato,  não  havia  comparação:  a  existência  de  manuscritos  do  Novo Testamento constituía uma prova surpreendente quando justaposta a outros escritos respeitados da Antigüidade — obras que os estudiosos modernos não relutam de forma alguma em considerar autênticas.

Minha  curiosidade  em  relação  aos  manuscritos  do  Novo Testamento fora despertada. Pedi a Metzger que me descrevesse alguns deles.

— Os mais antigos são fragmentos de papiros, que era um tipo de material para escrita feito da planta do papiro que crescia às margens do delta  do  Nilo,  no  Egito  — disse  Metzger.  — Existem atualmente  99 fragmentos  de papiros com uma ou mais  passagens ou livros  do Novo Testamento.  Os mais  importantes já  descobertos são os papiros Chester Beatty, achados por volta de 1930. Destes, o número 1 apresenta partes dos quatro evangelhos e do livro de Atos, datando do século III d.C. O papiro número 2 contém grandes porções de oito cartas de Paulo além de trechos de  Hebreus,  e  a  data  gira  em torno  de  200  d.C.  O papiro  número  3 compreende uma seção enorme do livro de Apocalipse, com data do século III  d.C.  Um outro  grupo  de  manuscritos  de  papiros  importantes  foi comprado por um bibliófilo suíço, Martin Bodmer. O mais antigo deles, de aproximadamente 200 d.C, contém cerca de dois terços do evangelho de João. Um outro papiro, com partes dos evangelhos de Lucas e João, é do século III d.C.

A essa altura, o intervalo entre a escrita das biografias de Jesus e os manuscritos mais antigos revelava-se extremamente pequeno. Mas qual é o manuscrito  mais  antigo?  Será  que  é  possível  chegar  aos  manuscritos originais, que os especialistas chamam de “autógrafos”?

O refugo que mudou a história
— De todo o Novo Testamento — eu disse —, qual é a parte mais antiga que temos hoje?

Metzger não precisou refletir para responder.

— Um fragmento do evangelho de João com parte do capítulo 18. Tem cinco versículos, três de um lado, dois de outro e mede cerca de 6,5 por nove centímetros — disse Metzger.

— Como foi descoberto?

— Foi  comprado  no  Egito  em 1920,  mas  passou  despercebido durante anos em meio a outros fragmentos de papiros semelhantes. Em 1934, porém, C. H. Roberts, do Saint Johris College, de Oxford, trabalhava na classificação de papiros na Biblioteca John Rylands, em Manchester, na Inglaterra, quando percebeu imediatamente que havia deparado com um papiro em que se achava preservado um trecho do evangelho de João. Peloestilo da escrita, ele foi capaz de datá-lo.

— E a que conclusão ele chegou? — perguntei. — É muito antigo?

— Ele concluiu que o manuscrito era de cerca de 100 a 150 d.C. Muitos outros paleógrafos famosos, como sir Frederic Kenyon, sir Harold Bell,  Adolf  Deissmann,  W.  H.  P.  Hatch,  Ulrich  Wilcken  e  outros, concordam com sua  avaliação.  Deissmann estava  convencido  de que o manuscrito remontava pelo menos ao reinado do imperador Adriano, nos anos 117 a 138 d.C, ou até mesmo ao do imperador Trajano, entre os anos
98 e 117 d.C.

Era uma descoberta formidável, porque os teólogos alemães céticos do século passado haviam postulado enfaticamente que o quarto evangelho não fora redigido pelo menos até o ano 160 — numa época já bem distante dos  eventos  do tempo de  Jesus  para  que  pudesse  ter  alguma  utilidade  histórica. Com isso, influenciaram gerações de estudiosos, que zombavam da confiabilidade desse evangelho.

— Isso sem dúvida põe fim à essa teoria — comentei.

— Realmente  — disse  Metzger.  — Temos  aqui  um fragmento muito antigo do evangelho de João proveniente de uma comunidade das margens do rio Nilo, no Egito, muito distante de Éfeso, na Ásia Menor, onde o evangelho provavelmente foi escrito.
Essa  descoberta  fez  com  que  as  pontos  de  vista  populares  da história  fossem revistos,  colocando  o  evangelho  de  João  muito  mais próximo dos dias  em que Jesus  caminhou pela terra.  Tomei  nota disso mentalmente  para  perguntar  depois  a  um arqueólogo  se  havia  outras descobertas que pudessem respaldar nossa confiança no quarto evangelho.

Uma abundância de provas
Embora  os  manuscritos  de  papiros  constituam as  cópias  mais antigas do Novo Testamento, existem também cópias antigas escritas em pergaminhos, feitos de pele de gado, ovelhas, cabras e antílopes.

— Temos os chamados manuscritos unciais, escritos inteiramente em letras  gregas  maiúsculas  — Metzger  explicou.  — Temos hoje  306 exemplares, muitos dos quais remontam ao início do século III. Os mais importantes são o Códice sinaítico, que é o único com o Novo Testamento completo  em letras  unciais,  e  o  Códice  Vaticano,  bastante  incompleto. Ambos são de cerca de 350 d.C. Um novo estilo de escritura, de natureza mais cursiva, emergiu por volta de 800 d.C. É chamado de minúscula, e há
cerca de 2 856 manuscritos  desse tipo.  Há também os lecionários,  que contêm as Escrituras do Novo Testamento na seqüência de leitura prescrita pela igreja primitiva em determinadas épocas do ano. Um total de 2 403 desses  manuscritos  já  foram catalogados.  Com isso,  o  total  geral  de manuscritos gregos chega a 5 664.

De acordo  com Metzger,  além dos  documentos  gregos  existem milhares de outros  manuscritos  antigos  do Novo Testamento em outras línguas. Existem entre 8 e 10 mil manuscritos da Vulgata latina, mais um total de 8 mil em etíope, eslavo antigo e armênio. No total, há cerca de 24 mil manuscritos.

— Qual a sua opinião diante  disso?  — perguntei-lhe,  buscando confirmar claramente  o que julgava  ter  ouvido.  — No que se refere  à multiplicidade de manuscritos e ao intervalo de tempo entre os originais e  nossos primeiros exemplares, qual a situação do Novo Testamento perante outras obras bem conhecidas da Antigüidade?

— Muito boa — respondeu ele. — Podemos confiar imensamente na  fidelidade  do  material  que  chegou  até  nós,  principalmente  se  o compararmos a qualquer outra obra literária antiga.

Essa conclusão é compartilhada por estudiosos eminentes de todo o mundo. De acordo com o falecido F. F. Bruce, autor de Merece confiança o Novo Testamento?, “no mundo não há qualquer corpo de literatura antiga que, à semelhança do Novo Testamento, desfrute uma tão grande riqueza de confirmação textual”. 16

Metzger já mencionara o nome de sir  Frederic Kenyon, ex-diretor do  Museu  Britânico  e  autor  de  The  paleography  of  Greek  papyrí  [A paleografia  dos  papiros  gregos].  Segundo  Kenyon,  “em nenhum outro caso  o  intervalo  de  tempo entre  a  composição  do  livro  e  a  data  dos manuscritos  mais  antigos  são  tão  próximos  como  no  caso  do  Novo Testamento”. 17

Sua conclusão: “Não resta agora mais nenhuma dúvida de que as Escrituras  chegaram até  nós  praticamente  com o mesmo conteúdo  dos escritos originais”. 18

Mas, e as discrepâncias entre os vários manuscritos? No tempo em que não havia ainda as velozes máquinas fotocopia-doras, os manuscritos eram laboriosamente copiados à mão por escribas, letra por letra, palavra por palavra, linha por linha, num processo muito propício a erros. Queria muito  saber  agora  se  esses  erros  dos  copistas  tinham  introduzido imprecisões irremediáveis nas Bíblias de hoje.

Examinando os erros
— Dada a semelhança de escrita das letras gregas — eu disse — e as condições primitivas nas quais trabalhavam os escribas, era grande a possibilidade de que eles introduzissem erros nos textos.

— Exato — concordou Metzger.

— Então  é  provável  que  existam  milhares  de  variações  nos manuscritos antigos que possuímos, não é mesmo?

— Exato.

— Isso  significa  então  que  não  podemos  confiar  neles?  — perguntei num tom mais de acusação que de interrogação.

— Não, senhor,  não significa que não podemos confiar neles — respondeu Metzger categoricamente. — Em primeiro lugar,  os óculos só foram inventados em 1373, em Veneza. Tenho certeza de que muitos dos antigos  escribas  sofriam  de  astigmatismo.  Acrescente-se  a  isso  a dificuldade que era, independentemente das circunstâncias, ler manuscritos já  apagados,  cuja  tinta  havia  perdido  a  nitidez.  Havia  também outros
perigos — falta de atenção da parte dos escribas, por exemplo. Portanto, embora  a  maior  parte  dos  escribas  fosse  escrupulosamente  cuidadosa, alguns erros acabavam passando.

Mas— Metzger estava pronto a acrescentar — há outros fatos que compensam isso. Por exemplo, às vezes a memória do escriba pregava-lhe peças. Entre olhar o que tinha de copiar e, em seguida, escrever o que lera, ele podia acabar mudando a ordem das palavras. Ele escrevia exatamente as palavras que lera, porém na seqüência errada. Isso não deve ser motivo para se alarme,  já  que o grego, ao contrário de outras línguas,  como o inglês ou o português, é uma língua que admite flexões.

— Isso quer dizer que… — interrompi.

— Que faz uma enorme diferença em português se você disser: “O cachorro morde o homem” ou: “O homem morde o cachorro”. A ordem das palavras é importante em português, mas não no grego. Uma palavra pode funcionar  como  sujeito  da  oração  independentemente  de  onde  esteja colocada. Conseqüentemente, o significado da oração não fica truncado se as  palavras  não  estiverem na  ordem que  consideramos  correta.  Existe, portanto, uma certa variação entre um manuscrito e outro, mas, em geral, são variações de somenos importância. As diferenças de grafia seriam um
outro exemplo.

Mesmo assim, o número de “variações” ou de “diferenças” entre os manuscritos  era  preocupante.  Eu já  tinha  visto  algumas  estimativas  da ordem  de  200  mil  variações. 19

Metzger,  contudo,  não  deu  muita importância a essa quantidade.

— O número  parece  grande,  mas  engana um pouco pelo modo como as variações são computadas — disse ele, explicando que, se uma  única  palavra  for  escrita  incorretamente  em  2  mil  manuscritos, contabilizam-se 2 mil variações.

Concentrei-me na questão mais importante.

— Quantas  doutrinas  da  igreja  estão  em  risco  por  causa  das variações?

— Não sei de nenhuma doutrina que esteja em risco — respondeu ele com convicção.

— Nenhuma?

— Nenhuma — ele repetiu. — Os testemunhas-de-jeová batem à sua porta e lhe dizem: “Sua Bíblia está errada em 1João 5.7,8, onde se lê: ‘o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um’ (NVI, nota de rodapé). Eles dirão que não é assim que esse texto aparece nos manuscritos mais antigos. E é verdade mesmo.  Acho que essas  palavras só aparecem em cerca de sete ou oito cópias, todas dos séculos XV ou XVI. Admito que
esse texto não faz parte do que o autor de 1João foi inspirado a escrever. Isso,  porém,  não  invalida  o  testemunho  sólido  da  Bíblia  acerca  da Trindade. No batismo de Jesus, o Pai fala, seu Filho amado é batizado e o Espírito Santo desce sobre ele. No final de 2Coríntios, Paulo diz: “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos  vocês”.  A Trindade  aparece  representada  em muitos
lugares.

— Então as variações, sempre que ocorrem,  normalmente são de importância secundária, e não primordial?

— Sim,  sim,  é  isso  mesmo.  Os  estudiosos  trabalham  muito cuidadosamente  para tentar  solucioná-las,  devolvendo-lhes o significado original. As variações mais significativas não solapam nenhuma doutrina da igreja.  Qualquer Bíblia que se preza vem com notas que indicam as variações de texto mais importantes. Mas, como eu já disse, esses casos são raros.

São tão raros que estudiosos como Norman Geisler e William Nix chegaram à seguinte conclusão: “… o Novo Testamento não só sobreviveu em um número maior  de manuscrito,  mais  que qualquer outro livro  da Antigüidade, mas sobreviveu em forma muito mais pura (99,5% de pureza) que qualquer outra obra grandiosa, sagrada ou não”.
20

Próxima Parte: Parte 3 – As Traduções – Os Evangelhos Bíblicos são Confiáveis?

Referências
16 F. F. BRUCE, The books and the parchments, Old Tappan, Revell, 1963, p. 178, ap. Josh MCDOWELL, Evidência que exige um veredito, 2. ed., São Paulo, Candeia, p. 53.
17 Frederic KENYON, Handbook to the textual criticism of the New Testament, New York,
Macmillan, 1912, p. 5,ap. Ross CLIFFORD, The case for the empty tomb, Claremont,
Albatross, 1991, p. 33.
18  Frederic KENYON, The Bible And Archaeology, New York, Harper, 1940, p. 288.
19  Norman L. GEISLER & William E. Nix, Introdução bíblica: como a Bíblia chegou até
nós, São Paulo, Vida, 1997, p. 172.
20 Ibid., p. 176

Os Evangelhos Bíblicos são Confiáveis? O Tempo (Parte 1)

LeeStrobelNesta primeira postagem da série é reproduzido um trecho do livro “Em Defesa de Cristo” do jornalista e ex-ateu Lee Strobel. É um trecho que irá esclarecer a dúvida sobre a data em que os evangelhos foram escritos.

Lee era um ateu linha dura que ficou furioso quando sua esposa começou a frequentar o culto de uma igreja local. Ele chamou alguns amigos repórteres para irem a uma das reuniões e anotar tudo o que pastor falava. Seu objetivo era um só: Colocar suas habilidades investigativas de jornalista para desmascarar de vez o que ele achava que o cristianismo era: uma grande farsa.

Mal sabia ele que esta decisão seria o início de uma jornada sua de 2 anos onde ele realizou uma análise investigativa detalhada dos evangelhos. A jornada culminou no sentido contrário, com sua conversão a discípulo de Cristo devida à esmagadora quantidade de provas em favor da confiabilidade dos evangelhos.

CraigBlombergNeste trecho Lee entrevista o Dr Craig Blomberg. Antes vejamos uma breve biografia acadêmica do Dr Blomberg.

O Dr Craig  Blomberg  é  considerado  uma  das  autoridades  mais  importantes  do  país (EUA) nas  biografias  de  Jesus,  os  quatro  evangelhos. Doutorou-se  em Novo Testamento  pela  Aberdeeen  University,  Escócia, tornando-se  posteriormente  pesquisador  sênior  da  Tyndale  House,  na Universidade de Cambridge, Inglaterra, onde integrou um grupo de elite formado  por  estudiosos  internacionais  responsáveis  por  uma  série  de trabalhos  muito  elogiados  sobre  Jesus.  Há  12  anos  leciona  Novo Testamento no prestigioso seminário de Denver. Dentre  os  livros  que  escreveu,  podemos  citar  Jesus  and  the gospels: interpreting the parables [Jesus e os evangelhos: a interpretação das  parábolas];  How wide the divide? [Qual o tamanho da divisão?], além de comentários sobre o evangelho de Mateus e 1Coríntios. Participou também da edição do sexto volume de Gospel perspectives [Perspectivas  dos evangelhos],  que trata exaustivamente dos milagres de Jesus. E coautor  ainda  de  Introductíon  to  biblical  interpretation  [Introdução  à interpretação  bíblica].  Contribuiu  com  alguns  capítulos  sobre  a historicidade dos evangelhos para o livro Reasonable faith [Fé racional] e escreveu  o  elogiado  Jesus  under  fire  [Jesus  sob  cerco].  Blomberg  é membro da Sociedade para o Estudo do Novo Testamento, da Sociedade de Literatura Bíblica e do Instituto de Pesquisas Bíblicas.

Apresentado o Dr Blomberg vamos a pergunta: Podemos Confiar nos Evangelhos Bíblicos?

Confiram o trecho do livro.

Em Defesa de CristoEm Defesa de Cristo pag 30 – 35

Uma  coisa  é  dizer  que  os  evangelhos  procedem  direta  ou indiretamente  do  testemunho  ocular;  outra  coisa  é  afirmar  que  a informação neles contida ficou preservada de modo confiável até que fosse finalmente registrada por escrito anos mais tarde. Eu sabia que esse era um dos  principais  pontos em disputa,  por isso queria  desafiar  Blomberg,  o quanto antes, com essa questão.

Peguei novamente o livro de Karen Armstrong, A history of God, e lhe disse:

Ouça o que mais diz a autora:

Sabemos muito pouco sobre Jesus. O primeiro relato mais abrangente sobre sua vida aparece no evangelho segundo São Marcos, que só foi escrito por volta do ano 70,
cerca de 40 anos depois de sua morte.  Àquela altura,  os fatos  históricos  achavam-se misturados a elementos míticos que expressavam o significado que Jesus havia adquirido para seus seguidores. É esse significado, basicamente, que o evangelista nos apresenta, e não uma descrição direta e confiável. 8

Pus  de volta  o livro na valise  aberta,  virei-me para Blomberg e prossegui:

— Alguns  estudiosos  dizem  que  os  evangelhos  foram escritos muito depois dos acontecimentos por eles registrados. Com isso, as lendas que se desenvolveram durante esse período acabaram por contaminar sua redação, alçando Jesus de simples professor sábio ao mitológico Filho de Deus. O senhor acha razoável essa hipótese ou será que existem indícios suficientes de que a composição dos evangelhos é anterior a essa data, ou seja,  antes  que  a  lenda  pudesse  corromper  totalmente  o  que  ficou registrado?

Blomberg, de olhos semicerrados, disse em tom veemente:

— Temos  duas  questões  distintas  aqui,  e  é  importante  que  as conservemos assim. Estou certo que temos indícios suficientes para fixar a data da redação dos evangelhos em um período mais antigo. Mas, mesmo que não tivéssemos, o argumento de Armstrong seria falho do mesmo jeito.

— Por quê? — perguntei-lhe.

— As datas estabelecidas no meio acadêmico, mesmo nos círculos mais liberais, situam Marcos nos anos na década de 70, Mateus e Lucas na década de 80, e João na década de 90. Observe que essas datas ainda estão dentro  do  período  de  vida  de  várias  pessoas  que  foram  testemunhas oculares da vida de Jesus, inclusive daquelas que lhe foram hostis, e que por isso poderiam atuar como parâmetro de correção caso houvesse em circulação algum ensinamento falso sobre Jesus. Conseqüentemente, essas datas mais  recentes para os evangelhos não são assim tão recentes.  Na verdade,  é  possível  fazer  uma  comparação  muito  instrutiva.  As  duas biografias mais antigas de Alexandre, o Grande, foram escritas por Ariano e Plutarco depois de mais de 400 anos da morte de Alexandre, ocorrida em 323 a.C, e mesmo assim os historiadores as consideram muito confiáveis. É claro que surgiu um material lendário com o decorrer do tempo, mas isso só aconteceu nos séculos posteriores aos dois autores. Por outras palavras, nos  primeiros  500 anos, a história  de Alexandre ficou quase intacta.  O material  lendário começou a aparecer nos 500 anos seguintes.  Portanto, comparativamente, é insignificante saber se os evangelhos foram escritos 60  ou  30  anos  depois  da  morte  de  Jesus.  Na  verdade,  a  questão praticamente inexiste.

Entendi  o  que  Blomberg  queria  dizer.  Ao  mesmo  tempo,  tinha minhas  reservas.  Para  mim,  parecia  intuitivamente  óbvio  que,  quanto menor o lapso  de tempo entre  um acontecimento e o momento  de seu registro, tanto menor a possibilidade de esse registro ser corrompido por lendas ou lembranças incorretas.

— Vamos  admitir,  por  enquanto,  que  seja  isso  mesmo,  mas
voltemos  à  data  de  registro  dos  evangelhos  — eu  disse.  — O senhor
acredita que eles foram escritos possivelmente antes da data mencionada?

— Sim, antes — disse Blomberg. — Podemos confirmar isso pelo livro de Atos, escrito por Lucas. Atos termina, aparentemente, sem uma conclusão. Paulo é a personagem principal do livro, e se encontra preso em Roma.  É assim, abruptamente,  que o livro  acaba. O que acontece com Paulo? Atos não nos diz, provavelmente porque o livro foi escrito antes da morte dele.

Blomberg ia ficando cada vez mais empolgado.

— Isso significa que o livro de Atos não pode ser posterior a 62 d.C. Assim, podemos recuar a partir desse ponto. Uma vez que Atos é o segundo tomo de um volume duplo, sabemos que o primeiro tomo — o evangelho de Lucas — deve ter  sido escrito antes dessa data. E já que Lucas inclui parte do evangelho de Marcos, isto significa que Marcos é ainda mais antigo. Se trabalharmos com a margem aproximada de um ano para cada um, chegaremos à conclusão de que Marcos foi escrito por volta de 60 d.C, talvez até mesmo em fins da década de 50. Se Jesus foi morto em  30  ou  33  d.C,  temos  aí  um intervalo  de,  no  máximo,  30  anos aproximadamente.

Blomberg recostou-se novamente na poltrona com ar de triunfo.

— Em termos  de  história,  principalmente  se  compararmos  com Alexandre, o Grande, disse ele, é como se fosse uma notícia  de última hora!

Era mesmo muito impressionante o fato de que, do ponto de vista histórico, tinha pouquíssima relevância o intervalo entre os acontecimentos da vida de Jesus e a data em que os evangelhos foram escritos. Todavia, eu queria insistir no assunto. Meu objetivo era retroceder no tempo o máximo possível até chegar às primeiras informações sobre Jesus.

Voltando ao começo

Levantei-me e fui até a estante.

— Vejamos se é possível  recuar  mais  ainda no tempo — disse, virando-me  para  Blomberg.  — De  que  época  datam  os  primeiros testemunhos mais importantes sobre a expiação, a ressurreição e a relação única de Jesus Cristo com Deus?

— É bom lembrar que os livros do Novo Testamento não estão em ordem cronológica — disse Blomberg inicialmente. Os evangelhos foram escritos praticamente depois das cartas de Paulo, cujo ministério epistolar começou por volta do fim da década de 40. A maior parte de suas cartas mais importantes são da década de 50. Para saber qual a informação mais antiga, vamos às cartas de Paulo com a seguinte pergunta: “Existem sinais aqui  de  que fontes  mais  antigas  teriam sido  usadas  na  redação  dessas
cartas?”.

— E o que encontramos? — perguntei.

—  Descobrimos  que  Paulo  havia  abraçado  alguns  credos,  confissões de fé  ou hinos da igreja  cristã  mais  antiga. Esses elementos remontam ao alvorecer da igreja pouco depois da ressurreição. Os credos mais famosos são os de Filipenses 2.6-11, que fala de Jesus como tendo a mesma natureza de Deus, e Colossenses 1.15-20, onde Jesus é descrito como a “imagem do Deus invisível”, que criou todas as coisas e por  meio de quem todas as coisas foram reconciliadas com Deus, “estabelecendo a paz pelo seu sangue derramado na cruz”. Essas passagens sem dúvida são importantes  porque  mostram o tipo de crença que tinham os primeiros cristãos em relação a Jesus. Todavia, talvez o credo mais importante no que se refere ao Jesus histórico seja o de 1Coríntios 15, onde Paulo usa uma linguagem técnica para indicar que estava transmitindo essa tradição oral de uma forma relativamente fixa.

Blomberg localizou a passagem na Bíblia e a leu para mim:

Pois o que primeiramente lhes transmiti foi o que recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou no terceiro dia, segundo as Escrituras, e apareceu a Pedro e depois aos Doze. Depois disso apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez,  a maioria  dos quais  ainda vive,  embora alguns já tenham adormecido. Depois apareceu a Tiago e, então, a todos os apóstolos. 9

— Essa  é  a  questão  — disse  Blomberg.  — Se  a  crucificação ocorreu em 30 d.C, a conversão de Paulo se deu aproximadamente em 32. Ele foi então levado imediatamente para Damasco, onde se encontrou com um cristão  chamado  Ananias  e  alguns  outros  discípulos.  Seu  primeiro encontro com os apóstolos em Jerusalém teria ocorrido em 35 d.C. Em algum  momento  desse  período,  Paulo  recebeu  esse  credo,  que  fora
formulado pela igreja primitiva e era usado por ela. Temos aqui, portanto, os principais fatos sobre a morte de Jesus pelos nossos pecados, além de uma lista detalhada daqueles para quem ele apareceu ressuscitado — tudo isso  se  dá  no  intervalo  de  dois  a  cinco  anos  depois  dos  eventos propriamente ditos! Não se trata aí de mitologia elaborada cerca de 40 anos ou  mais  depois,  conforme  pretende  Armstrong.  Pode-se  perfeitamente argumentar  a  favor  da  crença  na  ressurreição,  muito  embora  não  haja nenhum registro  escrito,  que  ela  remonta  aos  dois  anos  posteriores  ao
evento. Isso é de suma importância — disse ele, levantando um pouco a voz para dar ênfase.

— Não estamos comparando  30  ou  60  anos  com os  500  anos normalmente aceitos para outros dados — estamos falando de dois anos!

Não havia como negar a importância dessa prova. Ela parecia, sem dúvida, invalidar a acusação de que a ressurreição — que para os cristãos era a maior prova da divindade de Jesus — fora meramente um conceito mitológico  formulado  ao  longo  do  tempo,  à  medida  que  as  lendas corrompiam os relatos das testemunhas oculares da vida de Cristo. Fiquei particularmente  impressionado:  como cético  que era,  a ressurreição era
uma das minhas principais objeções ao cristianismo.

Encostei-me na estante.  Tratáramos de vários  assuntos e,  depois daquela observação culminante de Blomberg, achei que era hora de fazer uma pausa.

Um pequeno recesso
Já era fim de tarde. Tínhamos conversado o tempo todo sem fazer nenhum intervalo. Todavia, não queria encerrar nossa conversa sem antes submeter  os  relatos  das  testemunhas  oculares  ao  mesmo tipo  de  teste utilizado por advogados ou jornalistas. Precisava saber se eles passariam no teste ou se, na melhor das hipóteses, se mostrariam duvidosos; ou, na pior das hipóteses, indignos de confiança.

Depois de preparado o terreno, convidei Blomberg a se levantar e a esticar  as  pernas  antes  de  nos  sentarmos  novamente  para  retomar  a  discussão.

Ponderações
Perguntas para reflexão ou estudo em grupo
1. Você  já  foi  influenciado  pelo  testemunho  ocular  de  alguém?  Que critérios você costuma utilizar para avaliar a veracidade e a precisão de uma história?  Pelos  seus  critérios,  que tipo de avaliação receberiam os evangelhos?
2.  Na  sua  opinião,  o  conteúdo  teológico  dos  evangelhos  afeta  a autenticidade de seu testemunho histórico? Sim ou não? Justifique. Você acha que a analogia que Blomberg faz com o Holocausto ajuda a refletir sobre essa questão?
3.  De que modo a explicação de Blomberg sobre  as informações mais antigas  que  se  tem  sobre  Jesus  influencia  sua  opinião  sobre  a confiabilidade dos evangelhos e por quê?

Próxima Parte: Parte 2 – A Preservação – Os Evangelhos Bíblicos são Confiáveis?

Outras fontes de consulta
Mais recursos sobre esse tema
BARNETT, Paul. Is the New Testament history? Ann Arbor,Vine, 1986.
______. Jesus and the logic of history. Grand Rapids, Eerdmans, 1997.
BLOMBERG, Craig. The historical reliability of the gospels. Downers Grove,
InterVarsity, 1987.
BRUCE,  E E  Merece confiança o Novo Testamento?  2.  ed.  Trad  Waldyr
Carvalho Luz. São Paulo, Vida Nova, 1990.
FRANCE, R. T. The evidence for Jesus. Downers Grove, InterVarsity, 1986.

Fontes citadas
8  ARMSTRONG, op. cit, p. 79.
9 1Coríntios 15.3-7

Em Defesa de Cristo
Livro
Documentário em Vídeo

Série ‘Os Evangelhos Bíblicos são Confiáveis?’

panorama do novo testamentoNos dias de hoje várias são as dúvidas sobre a confiabilidade dos textos bíblicos, principalmente dos chamados evangelhos canônicos. Quando eles foram escritos? Não se passou muito tempo?  Eles foram adulterados pela igreja? As traduções são confiáveis?

Estas questões são abordadas numa série de três postagens.

Parte 1 – O Tempo – Os Evangelhos Bíblicos são Confiáveis? 
Nesta parte será respondida a questão de quando eles foram escritos.

Parte 2 – A Preservação – Os Evangelhos Bíblicos são Confiáveis?
Aqui será abordada a questão da preservação dos manuscritos.

Parte 3 – As Traduções – Os Evangelhos Bíblicos são Confiáveis?
Nesta última parte será respondida a dúvida muito comum sobre confiabilidade das traduções.

Fique a vontade para sugerir temas, pedir esclarecimentos ou postar suas objeções.

24 Razões do Porquê o Inferno é Real

David Shibley
Tradução: Mike Moore
Original

Alguns falsos mestres de hoje gostam de nos fazer pensar que todo mundo vai, eventualmente, chegar ao céu. Não acreditem neles.

William Booth, fundador do Exército de Salvação e um homem que dedicou sua vida a tirar os pobres do pecado e da pobreza, teria feito a seguinte declaração: “A maioria das organizações cristãs gostaria de enviar seus trabalhadores para faculdades Bíblias por cinco anos. Eu gostaria. De envia nossos trabalhadores para o inferno por cinco minutos. Isso iria prepará-los para uma vida de ministério de compaixão. ”

Booth nunca sugeriu que as pessoas desesperadas que ele serviu já estavam no inferno.” Ele acreditava em um inferno real, eterno, e isso o levou a resgatar pessoas de ambas situações: a atual e a perdição futura.

Pouco antes de sua morte, em 1912, Booth alertou profeticamente que ele viu vindo para a igreja “perdão sem arrependimento, salvação sem regeneração … um céu sem um inferno.”

No nevoeiro teológico de hoje, sua advertência sinistra está se desenrolando. Mesmo alguns que afirmam crer na Bíblia estão tendo segundos pensamentos sobre o julgamento eterno, e outros rejeitaram a noção de juízo por completo. O nome normalmente dado a esse ensinamento é Universalismo.

Universalismo, basicamente, é a crença de que todas as pessoas serão salvas. Morte e ressurreição de Jesus irá automaticamente, ou pelo menos, eventualmente, salvar a raça humana inteira. Arrependimento pessoal e a fé em Cristo não são necessárias para ir para o céu. A missão cristã é reduzida a anunciar ao povo a “boa notícia” que eles já estão salvos.

Mas a Escritura ensina que todos serão salvos? Há evidência bíblica esmagadora em contrário.

Eu gostaria de oferecer 24 razões para se rejeitar o Universalismo. Você pode ser capaz de adicionar mais alguns por conta própria.

1. Jesus fez de ambos: o arrependimento e a fé pré-requisitos para o perdão. “Mas se não se arrependerem, todos vocês também perecerão. ” (Lucas 13:3, NVI). “O Reino de Deus está próximo.”, dizia ele. “Arrependam-se e creiam nas boas novas! ” (Marcos 1:15).

2. A “água da vida” é oferecida a todos, mas nem todos a recebem ou mesmo desejá-lo. “quem quiser, beba de graça da água da vida” (Apocalipse 22:17).

3. Escritura ensina que haverá um julgamento após a morte. “Da mesma forma, como o homem está destinado a morrer uma só vez e depois disso enfrentar o juízo ” (Hb 9:27).

4. Aqueles que não tiveram uma verdadeira conversão irão experimentar um julgamento pelo pecado que a Bíblia descreve como “a segunda morte.” Mas os covardes, os incrédulos, os depravados, os assassinos, os que cometem imoralidade sexual, os que praticam feitiçaria, os idólatras e todos os mentirosos — o lugar deles será no lago de fogo que arde com enxofre. Esta é a segunda morte”. (Ap 21:8).

5. Contrariamente às crenças universalistas, o ensinamento de Jesus indica que a maioria da humanidade está em um caminho largo que leva à destruição. “‘Esforcem-se para entrar pela porta estreita, porque eu lhes digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão. Quando o dono da casa se levantar e fechar a porta, vocês ficarão do lado de fora, batendo e pedindo: “Senhor, abre-nos a porta”. Ele, porém, responderá: “Não os conheço, nem sei de onde são vocês”. Afastem-se de mim, todos vocês, que praticam o mal!”’” (Lucas 13:24-27).

6. Jesus falou muitas vezes de um lugar terrível de julgamento para aqueles que estão fora do governo do Seu reino. “O Filho do homem enviará os seus anjos, e eles tirarão do seu Reino tudo o que faz tropeçar e todos os que praticam o mal. Eles os lançarão na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes. “ (Mateus 13:41-42).

7. A Bíblia ensina tanto o amor de Deus quanto o Seu julgamento do pecado. Confiando no pagamento de Cristo pelos nossos pecados estamos salvos deste juízo. “Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores. Como agora fomos justificados por seu sangue, muito mais ainda seremos salvos da ira de Deus por meio dele!” (Rm 5:08 -9).

8. Em um dos versos mais amorosos na Bíblia, Jesus expôs as opções eternas. “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16).

9. A Escritura ensina que há um interminável, julgamento eterno para aqueles que não conhecem a Deus e que não respondem em fé ao evangelho. “o Senhor Jesus [será] revelado lá do céu, com os seus anjos poderosos, em meio a chamas flamejantes. Ele punirá os que não conhecem a Deus e os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus. Eles sofrerão a pena de destruição eterna, a separação da presença do Senhor e da majestade do seu poder.” (2 Ts. 1:7-9).

10. Jesus ensinou enfaticamente que um nascimento espiritual é essencial para entrar no reino dos céus. “‘Em verdade, vos digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (João 3:3).

11. Em resposta a uma pergunta muito clara sobre o que é necessário para a salvação, Paulo deu uma resposta muito clara: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo” (At. 16:31).

12. Jesus não deu nenhuma indicação de que muitos caminhos levam a Deus. Ele com determinação afirmou que era o único caminho. “‘Eu sou o caminho, a verdade, e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim” (João 14:6).

13. Os primeiros pregadores da igreja claramente pregavam que Jesus é o único caminho para a salvação. “E não há salvação em nenhum outro, pois não há nenhum outro nome debaixo do céu, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (Atos 4:12, ver também 1 Tm 2:5;. Hebreus 2:3-4.; 1 Ped. 1:3-5).

14. Segundo a Escritura, só aqueles que recebem Jesus Cristo e acreditam nEle são filhos de Deus. “Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, aos que crêem no seu nome” (João 1:12).

15. O evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. “Pois não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1:16; ver também 10:9).

16. Em vez de ensinar que aqueles sem fé em Cristo já estão salvos, a Bíblia ensina que eles já estão em julgamento. A fé em Cristo nos retira da condenação e nos leva a uma relação correta com Deus. “Aquele que crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito de Deus” (João 3:18).

17. Somente aqueles cujos nomes estão no Livro da Vida do Cordeiro têm acesso para a cidade eterna de Deus. “E aquele que não foi achado inscrito no Livro da Vida, foi lançado no lago de fogo” (Apocalipse 20:15, ver também 21:27).

18. As pessoas não são automaticamente justas. Somente quando nós declaramos a fé em Jesus Cristo que Deus nos declara justos aos Seus olhos. “Mas ao que não trabalha, mas crê naquele que justifica o ímpio, sua fé lhe é imputada como justiça” (Rm 4:5).

19. A vida eterna vem somente através de um relacionamento com Deus. Não podemos conhecer o Pai a não ser que conheçamos o Filho. “E esta é a vida eterna: que te conheçam a ti, único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 17:3).

20. A cruz de Cristo é onde o pagamento por nossos pecados foi feito. Só quando acreditamos nisto é que estamos salvos. “E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim deve o Filho do Homem seja levantado [na cruz], para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:14-15 ).

21. Só quem tem o Filho de Deus tem a vida eterna. “E este é o testemunho: Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em seu Filho Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.” (1 João 5: 11-12).

Além desses versos, a história de Cornélio em Atos 10 e 11 fornece provas contra o universalismo. Cornélio era devoto, orou muitas vezes, deu generosamente aos pobres e até recebeu uma visitação angelical. No entanto, Deus fez um grande esforço para levar o evangelho a ele para que ele pudesse vir a conhecer Jesus e ser salvo.

22. Adicionada à avalanche de evidências bíblicas, há também razões práticas para rejeitar Universalismo. A história ensina que aderir ao Universalismo coloca a igreja em um escorregador para o liberalismo teológico. Logo toda a confiança na Escritura é perdida e a singularidade do evangelho cristão evapora.

23. Se abraçarmos o Universalismo, não há urgência de evangelizar ou imperativo de fazer missões. Na verdade, evangelismo e missões teriam que ser redefinidos. Precisamos olhar mais longe do que a maioria das principais denominações, para ver o que acontece com a evangelização quando o Universalismo é prevalente.

24. Se o universalismo for finalmente provado certo, nada terá sido perdido pela nossa urgência continuada em ganhar as pessoas para a fé em Cristo. Mas se é falsa e nós a abraçarmos, então tudo estará perdido para sempre – incluindo as pessoas que não conhecem a Cristo.

Corações Inquebrantados

Precisa ser dito claramente que o caráter de Deus não está em julgamento. O juiz de toda a terra vai fazer o que é certo (veja Gn 18:25). A nossa fé está em julgamento. Nossos corações estão em julgamento. Mas Deus não está em julgamento. Qualquer que seja o julgamento que Ele faz em relação àqueles que não responderam ao evangelho será executado de acordo com seus padrões de perfeita justiça e amor.

Quando refletimos sobre a misericórdia de Deus, toda esta questão é invertida. Porque Deus é perfeitamente santo, o milagre não é que alguns serão perdidos. A maior surpresa é que ninguém da humanidade rebelde será salvo! Só a obra de Cristo na cruz pode nos reconciliar com Deus.

Deus colocou o obstáculo mais maciço possível para parar a corrida louca da humanidade em direção ao inferno. Ele enviou Seu Filho. Deus interveio pessoalmente através de Cristo. Seu sacrifício na cruz pagou o preço por nossos pecados. Esta é a boa notícia para todos os que crêem e recebê-Lo.

Defender o Universalismo é triste. Mas rejeitá-lo sem qualquer impacto em nossos corações ou mudança em nossas prioridades é sinistro. Se acreditarmos que as pessoas estão perdidas fora de Cristo (e estão), e que a fé em Cristo é o único caminho de salvação (e é), o que poderia ser uma prioridade maior do que levar o evangelho o tão longe e rápido possível?

Pronunciar as pessoas “salvas”, que estão, obviamente, escravizadas pelo engano, escuridão, e pelo diabo é certamente a mais cruel das piadas. Nós somos enviados para um mundo perdido, com um evangelho de poder. Nossa mensagem dá visão aos espiritualmente cegos e liberta aqueles que estão presos por Satanás. Nós não pregamos que as pessoas estão perdoadas, mas que eles podem ser perdoadas.

Eu não gostaria de estar diante de Jesus Cristo como um Universalista. Mas nem eu gostaria de estar diante do Senhor como um evangélico que não era evangélico. Que sério acerto de contas deve nos esperar, se cremos em tormento eterno para aqueles sem fé em Cristo – e ainda não fazemos nada! A recuperação da verdade bíblica e evangelismo compassivo são as necessidades gêmeas gritandes da igreja americana.

O apóstolo Paulo disse que ele estaria disposto a abrir mão de seu lugar em Cristo, se por tal sacrifício outro seria salvo (cf. Rom. 9:2-3). Ele acreditava que todas as pessoas fora de Cristo estavam perdidas, e isso o deixou com o coração partido.

Mais que a invasão do Universalismo, é o nosso coração inquebrantado, que muitas vezes impedem o evangelismo. Muitos cristãos hoje nunca ouviram falar de “um fardo para os perdidos.” A colheita é enorme e pronta para ser colhida por aqueles que estão dispostos a semear o primeiro em lágrimas (veja Sl. 126:5-6).

Teologia correta só vai nos indiciar se não recuperarmos o imperativo evangelístico. Devemos acreditar na verdade, e devemos agir no que acreditamos. Vamos não apenas rejeitar a teologia defeituosa, vamos abraçar aqueles que precisam de Jesus.

David Shibley é presidente da Global Advance, um ministério que oferece treinamento e recursos para milhares de pastores em países em desenvolvimento.

Comediante neo ateu Bill Maher ajuda ex-ateu a se converter a Jesus Cristo.

Vídeo

Comediante neo ateu Bill Maher ajuda ex ateu a se converter. Continuem o ótimo trabalho neo ateus!

Depois de assistir o “documentário” Religulous do comediante Bill Maher, ex-usuário de drogas Jon Joseph viu a evidente tendenciosidade dele. Motivado pela superficialidade de Maher, Josephh decidiu explorar o cristianismo mais a sério. Eventualmente, Joseph se tornou um cristão renascido e deixou a vida de abuso de drogas e promiscuidade. Graças a Deus.

Pergunta: Que sentido tem existir se Deus já sabe quem irá para o céu ou para o inferno? (Via FormSpring)


Pergunta:
Se Deus é onisciente, ele já sabe qual indivíduo vai supostamente para o céu ou para o inferno. Que sentido tem, existir, segundo a visão bíblica então? Nós somos marionetes, joguinhos dele?
Autor anônimo.

Resposta:
A presciência Divina (capacidade que Deus possui de saber tudo sobre o futuro) se baseia no fato de que Deus conhece as atitudes humanas. Ele sabe o que faremos porque Ele “nos vê” fazendo as coisas no futuro e não porque Ele determinou que nós agíssemos desta maneira.

O homem possui liberdade de escolha – livre arbítrio – e portanto não é uma marionete nas mãos de Deus. Este é um conceito que permeia toda a Escritura, de Gênesis ao Apocalipse. O chamado de Jesus ao arrependimento e a crença no evangelho (Marcos 1:15b), por exemplo, não faria qualquer sentido se não estivesse pressuposto a idéia de que as pessoas podem genuinamente se arrepender e crêr.

Portanto, a visão fatalista é estrangeira à teologia bíblica. Deus não é um ser que ordenou todas as coisas de maneira unilateral. Ele agiu, age e continuará agindo em resposta as escolhas que fazemos todos os dias, e desde Sua eternidade Ele conhece as nossas decisões.

O fato de termos sido feito a Sua imagem e semelhança dá à nossa vida e às nossas escolhas um valor real e objetivo. O sentido de nossa existência está no fato que podemos escolher entre o bem e mal, a vida e a morte, o amor a Deus e ao próximo e o amor próprio. E faremos isto por nossa própria escolha e baseado na Graça de Deus que nos acordou e nos chamou ao arrependimento.

Deus ama a todas as criaturas e não quer que nenhuma pereça, mas infelizmente muitos não querem um Deus assim e Ele nada pode fazer a não ser aceitar a rejeição delas.

“Juro pela minha vida, palavra do Soberano Senhor, que não tenho prazer na morte dos ímpios, antes tenho prazer em que eles se desviem dos seus caminhos e vivam ” Ezequiel 33:11