A Ciência Desprova a Bíblia?

Pergunta via FormSpring:

Primeiramente parabéns pelo Blog. Não sou cristão, mas admiro qualidades cristãs. Porém pra mim a Bíblia, por mais inspiradora que seja, não condiz com evidências da ciência, com a arqueologia ou astronomia. Pra você a bíblia deve ser lida literalmente?

André Resende

Resposta:

Em primeiro lugar agradeço pelos elogios e pela forma clara e respeitosa como você colocou sua objeção. Para mim é sempre um prazer responder a perguntas feitas assim.

Sua questão é muito boa e toca num ponto, que para muitos, é fundamental, a doutrina da inerrância bíblica. O raciocínio normalmente é assim: Deus sendo perfeito deve inspirar uma palavra perfeita logo se a Bíblia contém erros então o Deus revelado nela não existe.

A resposta a esta pergunta tem duas partes. Uma seria identificar o impacto real caso a afirmação dos erros sejam verdadeiras e a outra a análise dos alegados erros.

Primeira Parte: Qual o impacto real?

Pode surpreender a muitos ateus ou não cristãos, mas o fato é que nem todo cristão é inerrantista, ou seja, crê na doutrina da completa inerrância bíblica. Eu mesmo sou agnóstico sobre ela. Não sei se ela contém erros. Até o momento eu desconheço qualquer erro comprovado.

O importante de se lembrar é que a Bíblia é um livro sobre a salvação humana e não um manual de ciências. O objetivo principal dela é descreve a condição decaída do coração humano com relação a Deus e o que Ele fez para consertar isto. Se Deus preferiu fazer isto usando pessoas de pouca instrução, com conhecimentos científicos precários, não vejo nada de lógica ou moralmente errado nisto se a mensagem essencial foi passada fielmente.

Mas se eu for convencido que ela contenha erros o que podemos inferir disto? Bom, depende do erro. Por exemplo, você citou astronomia. Há muito tempo existem debates exegéticos se a Bíblia afirma o geocentrismo ou não. Sem entrar no mérito desta discussão o que podemos concluir se ela de fato ensinar o geocentrismo? O que podemos concluir se os autores realmente achavam que a Terra era o centro físico e estático do sistema solar e do universo? A meu ver muito pouco. Podemos concluir apenas que eles achavam isto e pronto. Não segue disto que Jesus não era Filho de Deus e que não ressuscitou dos mortos, por exemplo. Toda a pesquisa sobre a confiabilidade histórica dos evangelhos e o Argumento da Ressurreição de Jesus continuam intactos. Por outro lado se um dia for provado que Jesus não morreu crucificado – um dos fatos mais bem atestados da antiguidade e uma afirmação central da fé cristã – aí sim poderemos descartar o cristianismo.

Segunda Parte: A Bíblia contém erros?

Infelizmente, André, você não mencionou exemplos específicos dos alegados erros. Você fez apenas afirmações genéricas citando a ciência, arqueologia e astronomia então eu não posso ter certeza do que você se refere exatamente.

Em termos científicos uma das objeções mais comuns seria quanto a idade do cosmos, da Terra e dos seres humanos. Mas é importante notar que em nenhum lugar a Bíblia afirma explicitamente uma idade para na disto. Há cristãos que seguem um linha de raciocínio e exegese para concluir que ela ensina que o universo e a Terra tem 6 mil anos e tudo foi criado em 6 dias normais de 24 horas. Porém isto é debatido há muito tempo, antes mesmo da teoria de Darwin. Nos escritos dos pais da igreja se encontrará variadas opiniões. Santo Agostinho, por exemplo, afirmou no século IV, que o termo “dias”, de Gênesis 1, não precisa ser entendido literalmente nem que a criação ocorreu há apenas alguns milhares de anos.

Citei anteriormente um exemplo sobre astronomia, vou pegar agora a arqueologia. Já li um pouco sobre isto e até onde posso afirmar desconheço qualquer achado arqueológico que ponha uma dúvida séria em qualquer afirmação bíblica. É fato que não há registro arqueológico para muitos locais, pessoas e eventos relatados na Bíblia mas é preciso ter muito cuidado com este tipo de argumento da omissão. Pelo que sei arqueólogos não esperam encontrar ruínas e itens arqueológicos sobre tudo que ocorreu na antiguidade, principalmente quando o povo em questão foi vítima de conquistadores que muitas vezes promoveram grandes destruições. Mas ainda sim os achados arqueológicos corroboram o Novo Testamento incluindo locais que são mencionadas de passagem sem que tenham nenhuma relevância no texto. Por exemplo, no evangelho de João (Cap 5) é dito que Jesus curou um paralítico num local chamado Tanque de Betesda, que continha cinco alpendres. Por muito tempo esta história foi tida por alguns acadêmicos como pura invenção, até o dia que o tanque foi achado e não havia nele quatro nem seis alpendres e sim cinco. Claro que isto não prova que Jesus curou uma pessoa lá mas ajuda a apontar que os evangelhos foram escritos como gênero literário histórico e não mitológico ou simbólico, como afirmam alguns. Muitos personagens bíblicos já foram julgados inexistentes – como Herodes e Caifás – até que a arqueologia demonstrou que os críticos estavam errados e a Bíblia correta. Este são apenas alguns exemplos. Muitos outros existem.

Uma história muito interessante é do Sir William Mitchell Ramsay, um eminente arqueólogo cético, que ao tentar provar a falsidade histórica do livro de Atos dos Apóstolos finalizou sua jornada no sentido oposto convertendo-se ao cristianismo movido pela acurácia demonstrada por Lucas (Autor de Atos).
Sobre a questão da Bíblia ser lida literalmente ou não é preciso compreender que ela não é um livro único escrito por um autor de uma vez só. Ela é uma coletânea de livros de vários autores, com vários estilos literários, escritos em vários contextos históricos ao longo de mais de 1500 anos e para vários públicos diferentes. Para um entendimento mais fiel ao texto é preciso uma exegese que leve tudo isto em conta. Há textos poéticos, profecias, provérbios, narrativas históricas entre outros gêneros. É preciso entender cada um em seu respectivo contexto. Para citar dois exemplos, quando os evangelhos narram que Jesus morreu e ressuscitou fisicamente dos mortos isto é uma descrição literal, por outro lado, o livro profético do Apocalipse é riquíssimo em imagens metafóricas e simbólicas e precisa ser compreendido desta maneira.

Finalizando eu gostaria de recomendar o excelente livro “Em Defesa de Cristo” (link) do jornalista e ex-ateu Lee Strobel. É uma coletânea de entrevistas com vários especialistas focados no Novo Testamento e inclui uma análise mais detalhada dos aspectos históricos e arqueológicos que mencionei.

Com relação aos aspectos astronômicos e científicos da Bíblia recomendo os trabalhos do astrofísico Dr Hugh Ross (link).

Espero que minha resposta tenha sido útil.

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8 respostas em “A Ciência Desprova a Bíblia?

  1. Olá MikeMooreAC,

    A inerrância Bíblica é uma doutrina cara a nós Cristãos, Jesus jamais pôs em questão a revelação escriturística, e Ele é a chave hermenêutica de nossa fé e devemos entender e ver as Escrituras do mesmo modo que Jesus.Não estou dizendo que você assim o faça, mas vejo que muitos apologistas não gostam de sustentar essa doutrina para não serem tachados de fundamentalistas.

    Não vejo problema algum em sustentar que o relato da criação seja literal e, que os seis dias descritos da criação são exatamente seis dias de vinte e quatro horas, manhã, tarde e noite. A interpretação que admite e afirma ser o relato de GN um texo alegórico, carece de alguns pontos exegéticos fundamentais que comprometem sériamente doutrinas fundamentais.

    Jesus em sua condição humana, teria aceitado como verdade histórica algum erro que possivelmente tivesse sido adotado como verdade pelo povo Judeu?

  2. @Alessandro

    Olá Alessandro,

    Eu não tenho problema algum de ser tachado de fundamentalista. Um fundamentalista é aquele que segue os fundamentos de algo, certo? Eu quero e tento seguir os fundamentos do cristianismo conforme nos passou Nosso Senhor.

    Certamente que a Inerrância é uma doutrina cara a muitos cristãos, porém o que tentei argumentar na resposta é que ela não é uma doutrina central a fé como é, por exemplo, a Trindade e a ressurreição física de Jesus. Na verdade há várias definições de Inerrância. Há uma definição muito forte e abrangente que diz que a Bíblia não contém erros de nenhuma espécie sendo ela totalmente confiável em matérias de fé, história, ciência e tudo mais. Há definições mais específicas que restringem a inerrância a questões da fé. Estou longe de ser um especialista nisto mas penso que adotar uma doutrina forte da inerrância – como no primeiro caso – sem ter argumentos e conhecimentos sólidos – o que é o meu caso – para defendê-la para um crítico seria expor minha apologética a fraquezas que penso serem desnecessárias.

    Eu sei que esta posição gera muita discussão – para não dizer indignação -, mas eu não vejo como, do ponto de vista filosófico, ela possa ser uma barreira ou problema a fé cristã. Não vejo, em Atos dos Apóstolos, as pessoas sendo convertidas e tragas para Cristo tento como pré-requisito a crença na Inerrância Bíblica. Veja bem, nesta época o Novo Testamento nem havia sido escrito!

    Quanto a seu argumento em defesa da inerrância eu o entendi assim.

    1- Jesus é a chave hermenêutica da fé cristã.
    2- O Jesus diz é verdade.
    3- Jesus chamais duvidou da completa inerrância das Escrituras
    4- Logo as Escrituras são inerrantes.

    Eu concordo com todas as 3 premissas mas veja que a conclusão (4) não segue delas uma vez que você está argumentando pela ausência de evidências de X (Jesus não duvidou da inerrância) para concluir o oposto (Jesus afirmou a inerrância).

    Quanto a premissa 2 eu faria até uma ressalva. Eu diria que o que é essencial é que tudo que Jesus disse SOBRE A FÉ seja verdade. Jesus era totalmente humano – assim com totalmente Deus -, de maneira que ele poderia muito bem, em sua forma humana, ter tido algumas crenças que refletiam o conhecimento do mundo como visto pelos Judeus. Não falo das idéias históricas e teológicas sobre a Lei e os Profetas e sim sobre coisas menores mesmo. Por exemplo, Jesus achava mesmo que a mostarda era a menor das sementes? Se sim isto claramente é uma informação botânica equivocada. Isto me aborrecerá como cristão? De forma alguma!

    Se Jesus tivesse afirmado positivamente que todo o Antigo Testamento é inerrante em termos históricos, científicos e teológicos eu concordaria que a completa inerrância é algo essencial a fé e que uma pessoa não pode ser cristã ser crêr nisto, porém não é isto que ele faz. Ele afirma a historicidade de várias passagens bem como reafirma toda Lei e os Profetas.

    Quanto ao Gênesis eu penso que há problemas sim em sustentar a interpretação de dias normais de 24 horas. No meu entendimento há problemas científicos e linguísticos. Mas o ponto central que tentei mostrar é que isto é uma questão aberta a debates e também não é essencial a fé e a salvação. Não vejo como podem comprometer doutrinas fundamentais. Eu não imagino Deus rejeitando a entrada de pessoas no Seu Reino pelo fato de terem entendido errado o gênero literário de Gênesis 1. O que é realmente essencial é que a pessoa reconheça sua condição de pecador, aceite o sacrifício de Cristo e tente viver uma vida conforme o Seu exemplo. É isto que Jesus e os apóstolos pregaram e não vejo motivo para adicionar a apologética mais que parecem não essenciais.

    Um abraço.

  3. Olá MikemooreAC,

    Sustentar as verdades bíblicas ( Trindade,Ressurreição etc…) sem confirmar a inerrância bíblica não seria um erro, sendo que todas essas informações estão contidas e registradas na própria bíblia e se houve ou há erros seja estes históricos, teológicos ou científicos não implicaria diretamente nos pontos centrais e fundamentais da fé Cristã?
    Cada verdade bíblica sustenta uma outra verdade bíblica e rompendo algum desses elos doutrinário ( estou me referindo aos temas centrais ) não comprometeria todo o restante? Acredito que prescindir da inerrância bíblica é um precedente perigoso.

    Tomemos por exemplo o relato de Gn; O Adão então não teria sido uma personagem real( se tomarmos o relato da criação em alegorias ou metáforas ) que viveu num determinado período de tempo na história e que através de sua transgressão ao mandamento divino o pecado entrou no mundo e por consequência a morte física e espiritual, e o que diríamos então do segundo Adão, teria sido esse também uma personagem fictícia e não real?

    Quanto ao dia literal de 24 horas, é a única que honra integralmente as escrituras e todas as outras ''teorias'' quanto ao relato da criação possuem sérias dificuldades exegéticas e como o exemplo citado de Adão, acredito que compromete a cadeia progressiva da revelação que culminou no segundo Adão.

    No relato de Lucas no livro de Atos os Apóstolos recorriam sim as escrituras para fundamentar e sustentar as verdades que eles proclamavam, eles afirmavam e sustentavam a inerrância bíblica quando mostravam nos escritos do AT que Jesus era o messias esperado.
    Quanto a semente de mostarda, Jesus falava sobre a menor semente conhecida de seus ouvintes, Ele só reforçava a idéia de sua mensagem e usou como o exemplo o que eles conheciam como a menor semente, se Jesus falasse sobre outros tipos de semente desconhecida da época, ele poderia comprometer a mensagem que tentava transmitir.

  4. @Alessandro

    Sustentar as verdades bíblicas ( Trindade,Ressurreição etc…) sem confirmar a inerrância bíblica não seria um erro, sendo que todas essas informações estão contidas e registradas na própria bíblia e se houve ou há erros seja estes históricos, teológicos ou científicos não implicaria diretamente nos pontos centrais e fundamentais da fé Cristã?

    Olá Alessando, veja, eu não compartilho desta epistemologia. Me parece muito falha. Devemos acreditar em na Trindade e na Ressurreição porque Jesus as ensinou e devemos acreditar em Jesus porque o Novo Testamento é confiável HISTORICAMENTE. Penso que este é o argumento que os cristãos devem estudar e dominar.

    Cada verdade bíblica sustenta uma outra verdade bíblica e rompendo algum desses elos doutrinário ( estou me referindo aos temas centrais ) não comprometeria todo o restante? Acredito que prescindir da inerrância bíblica é um precedente perigoso.


    Depende do tipo de erro que se permita. Certamente que os evangelhos não podem estar errados sobre a ressurreição física, por exemplo. Se isto for um erro aí o cristianismo acaba de fato, mas não vejo que impacto sério poderia ter caso se encontre erros em detalhes periféricos da narrativa. A apologética da defesa dos evangelhos deve ser feita tendo por base o método histórico e não pela defesa da inerrância que é um conceito teológico. É preciso partir de uma premissa que seja comum a ambos os debatedores. Será muito raro você encontrar um crítico que rejeite fazer uma avaliação histórica dos evangelhos ao passo que nenhum deles aceitará partir do princípio na inerrância bíblica pelo motivo óbvio deles não serem cristãos.

    Tomemos por exemplo o relato de Gn; O Adão então não teria sido uma personagem real( se tomarmos o relato da criação em alegorias ou metáforas ) que viveu num determinado período de tempo na história e que através de sua transgressão ao mandamento divino o pecado entrou no mundo e por consequência a morte física e espiritual, e o que diríamos então do segundo Adão, teria sido esse também uma personagem fictícia e não real?

    Minha perspectiva é que Adão pode ou não ter existido. O que eu penso é que isto não interfere no que Jesus ensinou. Ele disse apenas que todos estamos mortos e que precisamos dEle para nascermos de novo e sermos salvos, correto? Então a doutrina central a fé cristã não é necessariamente que o pecado passou a todos, através de Adão, de uma forma genética (que pode ser verdade) e sim que TODOS pecaram. A meu ver Adão pode ser tanto uma figura histórica como um tipo de arquétipo que ilustra a rebelião de todo ser humano.

    Já para a historicidade de Jesus não temos base alguma para dizer que Ele não tenha realmente existido, feito e dito o que foi relatado. Os evangelhos possuem claramente um gênero literário biográfico com o intuito de relatar eventos históricos. Pode ser feita uma defesa robusta do cristianismo usando-se unicamente critérios históricos e concordando com o oponente, por caridade, que os relatos poderiam ter erros periféricos pois não há critério histórico que exija perfeição textual. Desta forma você irá desarmar completamente o oponente sem abrir mão de nenhuma doutrina essencial a fé cristã.

  5. @Alessandro

    Quanto ao dia literal de 24 horas, é a única que honra integralmente as escrituras e todas as outras ''teorias'' quanto ao relato da criação possuem sérias dificuldades exegéticas e como o exemplo citado de Adão, acredito que compromete a cadeia progressiva da revelação que culminou no segundo Adão.

    Discordo que a leitura de 24 horas seja isenta de problemas. Ela tem tantos problemas quanto todas as outras. Não é a toa que este debate se arrasta há mais de 1500 anos. Para mim Gênesis, principalmente os capítulos 1 e 2, é um livro muito enigmático e rico, isto de forma nenhuma tira o meu encanto pela Palavra de Deus, muito pelo contrário.

    No relato de Lucas no livro de Atos os Apóstolos recorriam sim as escrituras para fundamentar e sustentar as verdades que eles proclamavam, eles afirmavam e sustentavam a inerrância bíblica quando mostravam nos escritos do AT que Jesus era o messias esperado.

    Eles faziam isto para o público JUDEU pois eles precisavam mostrar que Jesus era o Messias esperado através das profecias. Porém veja que Paulo não fez QUALQUER referência ao AT ao argumentar em Atenas com os Gregos (Atos 17:19-31).

    Quanto a semente de mostarda, Jesus falava sobre a menor semente conhecida de seus ouvintes, Ele só reforçava a idéia de sua mensagem e usou como o exemplo o que eles conheciam como a menor semente, se Jesus falasse sobre outros tipos de semente desconhecida da época, ele poderia comprometer a mensagem que tentava transmitir.

    Concordo que Jesus não estava dando uma aula de botânica. Não estou dizendo que Jesus cometeu um erro estou apenas dizendo que PODERIA ser um erro. No meu entendimento Ele poderia realmente acreditar q a mostarda é a menor das sementes que isto não afetaria em nada o modo como vejo os fundamentos cristãos.

    Gostaria apenas de esclarecer que não estou estou afirmando que Bíblia contenha erros. Estou apenas dizendo que a inerrância bíblica não é uma doutrina obrigatória.

    Um abraço

  6. Deixo aqui um video, tratando das atrocidades cometidas na Biblia.

    Sobre o velho desentendimento entre Velho e novo testamentos:
    Gostaria de entender, primeiramente, porque que as pessoas acreditam na biblia.? Realmente não entendo. qual a diferença entre pegar a biblia, e pegar um livro qualquer? ou entre pegar a biblia, e um livro de Auto ajuda? Ou um livro filosofico?
    A biblia é um livro, bem velho, que traz valores morais de uma epoca antiga, e que os atribui a um ser divino. Por que acreditar? Tem alguma razão para isso? E qual a “evidencia historica” da veracidade do novo testamento? Se não fosse a doutrinação religiosa, e as interpretações pré moldadas da biblia, teriam muitas pessoas a seguindo?

  7. Deus dá e vida e tira de quem Ele bem entender. Além disto antes do ateu fazer uma objeção moral contra Deus ele precisa provar que existe moral objetiva sem a existência de Deus.

    Quanto a sua pergunta de porque as pessoas acreditam na Biblia, isto vai de pessoa para pessoa. Mas quanto a sua pergunta “POR QUE acreditar” esta sim é bem mais interessante. Parte da resposta está no próprio post. O novo testamento é comprovadamente acurado em termos de arqueologia e uma defesa rebusta pode ser feita em termos de critérios histórico-literários.

    Infelizmente o que costuma atrapalhar muito as pessoas é a doutrinação anti-cristã que recebem hoje pelas midias de massa, professores comunistas, cultura popular etc, que passam uma idéia premoldada e inteiramente errada sobre a verdade bíblica.

    Você pode começar se libertando destas amarras neste documentário: http://www.youtube.com/watch?v=DHX6uqtWHyE

  8. Provas de que a Bíblia é a Palavra de Deus
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    1. A frescura da Bíblia atesta a sua inspiração divina.
    A erosão dos séculos não a afectam. A Bíblia é semelhante a uma fonte de água. A fonte é sempre a mesma, mas a água é sempre fresca. É o Eldorado do tesouro celestial. Os filões de ouro nunca se esgotam nem os seus bolsos se esvaziam. Como com os tesouros da terra, os suas riquezas devem ser diligentemente procuradas, se as quisermos encontrar.
    Há crentes que estão a ler a Bíblia pela 50ª vez. Que livro mereceria uma 50ª leitura? Refrigera tanto ocidentais como orientais, antigos como modernos. Têm-se escrito milhares e milhares de livros sobre ela. E ninguém a esgota. Pois bem, o que a mente do homem produz, a mente do homem pode esgotar. Se ninguém a pode esgotar, isso por si revela como a mente que está por detrás dela é mente não humana. É mente divina. A Bíblia é a Palavra de Deus. Como com o azeite e a refeição que nutriu Elias, a Bíblia é inesgotável.

    2. A honestidade da Bíblia.
    Se a Bíblia fosse produto de meros homens, não inspirados por Deus, o seu conteúdo seria diferente. Apesar de ter sido escrita por Judeus, as vitórias alcançadas por estes são atribuídas a Deus e não ao seu génio. E eles registaram nas suas páginas, não apenas as vitórias, mas as derrotas sofridas. Vê-se claramente que os seus escritores não actuaram por princípios comuns da natureza humana. Os historiadores humanos atenuam e omitem as falhas e fracassos dos seus favoritos e dos seus heróis. Uma história forjada teria revestido os amigos só de virtudes. Não há paralelo no reino da literatura. O leitor atento da Bíblia conclui, à priori, num primeiro relance, que Israel foi a nação mais depravada. Mas não, o facto é que a história de Israel foi transmitida com fidelidade e honestidade. Por exemplo, o historiador Josefo silencia e omite o que é desfavorável à sua nação.

    3. O carácter dos seus ensinos.
    a. Acerca de Deus – eterno, infinito, soberano, omnipresente (presente e ciente), imutável, infalivelmente justo, absolutamente santo, sendo simultaneamente amor. Nada pode ser comparado nas bibliotecas com a descrição sublime e exaltada do Deus da Bíblia. Um Deus assim nunca poderia ter sido inventado. Todos os deuses inventados e imaginados pelos homens encontram-se num patamar completamente diferente.

    b. Acerca do homem. Os ensinos da Bíblia sobre o homem são únicos e exclusivos. Ao contrário dos outros livros, a Bíblia condena o homem. Não elogia nada nele. Não faz de Satanás a fonte de todo o mal de que somos culpados. «Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfémia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem» (Marcos 7.21-23). Uma tal concepção do homem tão diferente do pensamento humano nunca poderia emanar do homem. Se a autoria da Bíblia fosse humana, o homem não escreveria contra si deste modo.

    c. Acerca da condenação eterna. Sofrer consequências eternas por erros praticados numa vida tão curta? A pena não se “ajusta” ao crime. Muita da própria Cristandade não acredita neste ensino da Bíblia, o que só vem comprovar que a sua origem é divina e não humana, pois é estranho ao pensamento humano. No entanto muitos sofrem penas bem longas aqui na terra por erros praticados em meros segundos.

    4. O cumprimento das profecias.
    As profecias da Bíblia cumprem-se a 100%, ao contrário das profecias dos homens, que na melhor das hipóteses se cumprem a 60% – 70%, como foi reconhecido num congresso de videntes nos E.U.A.. Por exemplo, foi profetizado que Cristo, séculos antes vir ao mundo, seria vendido por 30 moedas de prata e foi traído por essa quantia exacta. «Então, se realizou o que vaticinara o profeta Jeremias: Tomaram as trinta moedas de prata, preço do que foi avaliado, que certos filhos de Israel avaliaram» (Mateus 27:9). Por exemplo, a crucificação foi um método de tortura introduzido pelos Romanos. Pois bem, antes deste povo – Romanos – existir, o Rei Davi profetizou, muitos séculos antes, acerca de Cristo, o seguinte: «Pois me rodearam cães; o ajuntamento de malfeitores me cercou; traspassaram-me as mãos e os pés» (Salmos 22:16). Falou do crucificado antes de existir crucificação. Na altura, a pena capital era por apedrejamento. Isaías também profetizou acerca d’Ele quando disse, «Ele foi oprimido, mas não abriu a boca; como um cordeiro, foi levado ao matadouro e, como a ovelha muda perante os Seus tosquiadores, Ele não abriu a boca» (Isaías 53.7). Quem podia prever que um prisioneiro, com a vida por um fio, diante dos seus juizes e algozes, não esboçaria a menor defesa?

    5. O significado típico, ou figurativo, da Bíblia.
    «Eis aqui venho (no princípio do livro está escrito de Mim), para fazer, ó Deus, a Tua vontade». (Heb. 10.7).A Bíblia é mais que um conjunto de livros históricos, mais que um sistema social e de legislação religiosa, mais que código e ética. Os instrumentos humanos usados para que fosse escrita não sabiam o que escreviam. Aquilo que para muitos não passa de meras histórias não são senão retratos admiráveis de Cristo. Não admira, por isso, ver os que a escreveram interrogando-se quanto ao significado daquilo que escreviam. Hoje podemos ver Cristo em todas as Escrituras. O próprio Senhor disse, «Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de Mim testificam» (João 5:39). Que história autêntica supriria uma série de personagens, todas elas diferentes, e de diferentes séculos, cujos carácteres e histórias, compreendem um Outro personagem? Pois Cristo é visto em personagens e histórias tão díspares quanto, Adão, Abel, Enoque, Noé, Abraão, Isaque, Jacob, José, Aarão, Moisés, tabernáculo, Josué, Samuel, Sansão, David Salomão, templo, Elias , Eliseu, Jeremias, Daniel, Jonas e outros.

    6. A unidade da Bíblia.
    A Bíblia foi escrita em 2 continentes, 3 línguas, durante 16 séculos. Foi escrita em várias circunstâncias – tendas, aldeias, palácios, prisões, por reis, sacerdotes, profetas, 1ºs ministros, pastores, soldados, pescadores, médicos, etc., e é apenas um livro. Chamem-se hoje vários sábios que façam um livro (não haverá unanimidade). Juntemos a literatura de diferentes séculos e veremos que não há unanimidade. Imaginemos 40 pessoas de diferentes nacionalidades, com vários graus de cultura musical, intervaladas no tempo, a escreverem 66 diferentes notas, que combinadas, compusessem a maior obra musical. A diferença jaz no facto dos 40 da Bíblia terem tido por detrás de si uma mesma Mente. Quando ouvimos uma orquestra com vários instrumentos sabemos que por detrás dela existe um génio que não tem que, necessariamente estar visível.

    7. A Influência da Bíblia.
    A sua influência é mundial. Afectou a literatura, a música, a arte, o próprio homem. Que livro há que mude tanta coisa? E isto ainda se torna mais notável quando vemos a sua antiguidade. E coisa notável – apesar da sua antiguidade não é antiquada; a sua vitalidade não diminuiu, e a sua influência continua irresistível.

    8. O acabamento da Bíblia.
    A sua composição foi acabada há praticamente vinte séculos, quando a maioria do mundo era incivilizado. Depois vieram as descobertas, os inventos, e nada a ultrapassou. O que é que hoje o homem sabe mais sobre a vida, a morte, o sofrimento? A Bíblia não precisa de nenhuma Errata nem de nenhuma Adenda, Separata ou Anexo. A Bíblia adapta-se a todos os séculos, a todas as idades, a todas as culturas e a todo o conhecimento. Os livros de Platão podem ser fonte de instrução, mas não os podemos colocar nas mãos de uma criança. Os Lusíadas têm interesse para os Portugueses e poucos mais, mas nenhum para os Ugandeses.

    9. A indestrutibilidade da Bíblia.
    Poucos são os livros que sobrevivem. Há outros que também são antigos. No entanto nenhum foi perseguido como a Bíblia. Até por supostos amigos ela tem sido atacada ao longo dos séculos. Porque tem ela suscitado tanta animosidade e ódio? Porque lhes aponta o pecado. É incomodativa. Imaginemos um homem que vivesse 20 séculos, que tivesse sido lançado ao mar, e não pudesse ser afundado, lançado às feras e não pudesse ser devorado, tivesse sido aprisionado e estivesse sempre livre, queimado e sempre intacto, envenenado e sempre cheio de saúde. Estaríamos diante de um super-homem. Pois é! Falamos da Bíblia – o super-livro.

    AINDA A BÍBLIA …

    «Seca-se a erva, e caem as flores, mas a palavra de nosso Deus subsiste eternamente»
    (Isaías 40.8)

    A vida de Cristo hoje é vista na vida da Bíblia. Imaginemos um livro compilado como a Bíblia. Tomemos 66 livros de medicina escritos por 40 diferentes médicos durante um período de cerca de 1600 anos, oriundos de várias escolas de medicina, como a Alopatia, Homeopatia, Hidropatia, Osteopatia, etc. Que successo pensamos poder ter tal livro, e que acordo entre os médicos? E que crédito nos mereceria hoje?
    Apesar de ser a revelação de Deus ao homem não foi escrita numa linguagem super-humana ou celestial. Se assim fosse ninguém a compreenderia. A sua origem sobrenatural é vista no facto de poder ser traduzida em qualquer língua sem perder o seu poder ou vida espiritual.

    A Bíblia não teme a investigação. Em vez disso ela desafia a consideração e o exame. Quanto mais a examinamos mais confirmamos que é a Palavra de Deus. Os verdadeiros crentes nela não são um grupo de entusiastas fanáticos. Não amam mitos. Abominam a superstição. Quando errados gostam de ser corrigidos, quando enganados gostam de ser desiludidos. A Bíblia é inspirada no sentido mais estrito, e é digna de toda a confiança.

    CUMPRIMENTO LITERAL DA BÍBLIA

    «E os ossos dos sacerdotes queimou sobre os seus altares e purificou a Judá e a Jerusalém» (2 Crónicas 34.5)

    Josias fez o que lemos em 2 Crónicas 34.5, cumprindo uma profecia predita mais de 300 anos antes pelo homem de Deus de Judá, a saber: «E clamou contra o altar com a palavra do SENHOR e disse: Altar, altar! Assim diz o SENHOR: Eis que um filho nascerá à casa de Davi, cujo nome será Josias, o qual sacrificará sobre ti os sacerdotes dos altos que queimam sobre ti incenso, e ossos de homens se queimarão sobre ti» (I Reis 13.2). Talvez a profecia estivesse esquecida e os descrentes talvez a ridicularizassem quanto ao seu cumprimento. Mas quando o tempo de Deus chegou a Sua Palavra foi literalmente cumprida. Hoje é assim. Os Racionalistas zombam da Palavra de Deus. Outros espiritualizam as Escrituras nas suas profecias. É uma das características dos últimos dias:

    «Sabendo primeiro isto: que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências e dizendo: Onde está a promessa da Sua vinda? Porque desde que os pais dormiram todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação. Eles voluntariamente ignoram isto: que pela Palavra de Deus já desde a antiguidade existiram os céus e a terra, que foi tirada da água e no meio da água subsiste; pelas quais coisas pereceu o mundo de então, coberto com as águas do dilúvio. Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro e se guardam para o fogo, até o Dia do Juízo e da perdição dos homens ímpios. ( 2 Pedro 3.3-7).

    É curioso que quando isto foi escrito, seria impensável e improvável tal poder acontecer, a saber, “os céus e a terra … se reservam … para o fogo”. Hoje ninguém tem dúvidas. É só premir alguns botões.

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