Quando Cientistas Inteligentes Perdem a Cabeça

O vídeo acima é um trecho de uma apresentação feita pelo físico Dr. Neil deGrasse Tyson, em 2006, na conferência “Beyond Belief” (Além da Crença).

Na platéia podemos identificar pessoas como Richard Dawkins que parece agradar-se da mesma.

Isto, por si só, já nos dá uma boa indicação do baixo nível intelectual da coisa toda.

Não assisti a toda a apresentação, mas neste trecho o Dr Tyson parece estar tentado refutar cientificamente  a teoria do D.I. (Design Inteligente) na Cosmologia e Biologia.

Neste post pretendo fazer uma análise crítica e refutação detalhada das objeções dele.

Escolhi este vídeo por sumarizar bem as objeções mais comuns.

Minha Análise

Em primeiro lugar gostaria de apontar o tom geral jocoso da apresentação.

Claro que isto, por si só, nada diz sobre a veracidade ou não das afirmações, mas não posso deixar desapercebido o fato quase universal de neoateus necessitarem deste tipo de floriamento retórico. Se os argumentos são de fato bons para que isto? É no mínimo curioso.

Falácia 1

Bom, a primeira falácia é a redefinição do termo “Inteligente” em “Design Inteligente”.

Tyson entitula sua breve apresentação de “Design Estúpido”. A proposta dele é demontrar que o “Designer” poderia ter feito as coisas melhores e, por tanto, não seria inteligente e sim estúpido, logo a teoria estaria refutada.

O problema aqui é tão simples de entender que torna um verdadeiro mistério o fato de muitos críticos de D.I. a levantarem. É questão de definição pura. É simplesmente saber O QUE É e O QUE NÃO É a teoria do D.I.

O termo “Inteligente” se refere apenas a afirmação de que certos aspectos do universo, ou da vida, só poderiam ter sido tragos a existência por uma inteligência e não por leis ou forças naturais cegas. Só isto, mais nada.

A teoria não defende, necessariamente, que o agente é “super inteligente”, nem onipotente, nem onibenevolente. Em outras palavras, o agente não é, necessariamente, Deus, e sim uma inteligência.

Assim sendo, dizer que algo foi MAL projetado não refuta o fato de que este algo CONTINUA sendo o resultado de um projeto inteligente. Procurar supostas falhas de projeto faz tanto para refutar a teoria quando dizer que um carro cheio de falhas de projeto, como o velho Trabant da Alemanha Oriental, não poderia ter sido projetado por mentes inteligentes pelo fato de conter estas falhas. Non sense puro.

É verdade que a maioria dos proponentes da teoria do D.I. são teístas e pensam que o projetista é Deus, mas o fato é que vários outros não são. Há ateus e agnósticos como, por exemplo, o matemático David Berlinski e o biólogo evolucionista Richard Sternberg.

Bem, e daí? O que isto prova?

Ou prova que estes proponentes não-teístas do D.I. não entendem de fato a proposta, ou são os críticos dela, como Tyson, que não entendem.

Qual dos dois?

A teoria não diz (porque não tem como) a identidade nem os atributos morais e as capacidades do projetista. A teoria propõe apenas uma atividade inteligente como causa para um fenômeno ou característica do universo ou da vida.

Alguns críticos argumentam que o designer não poderia ser outro a não ser Deus.

Minha inclinação pessoal é também para esta idéia. Concordo que é dificil apresentar outra alternativa sem gerar uma regressão infinita de complexidade para explicar complexidade.

Mas aqui há uma grande confusão dos críticos.

A teoria pode ter, como me parece fato, IMPLICAÇÕES teológicas, mas ela, em si, não necessita de PREMISSAS teológicas.

Isto faz uma grande diferença se a questão for manter o naturalismo metodológico como requisito, para que uma proposta possa ser aceita como teoria científica, pois desta forma o D.I. não viola tal requisito.

Os motivos para esta confusão são de várias naturezas, mas vale apontar a existência de um programa quase sistemático de desinformação, seja nos meios acadêmicos norte americanos, seja na própria imprensa, para que nem mesmo se use a definição correta da teoria do D.I.

Quase tudo é sempre tratado em termos de religião e filiação política da maioria dos membros. A frase-engodo mais vista nas manchetes, blogs etc, de críticos, é “Os proponentes do D.I. dizem que a vida é tão complexa que só Deus pode tê-la criado”.

Para mais detalhes sobre este tipo de embuste recomendo o excelente documentário Expelled A Inteligência Não é Permitida.

Falácia 2 Confusão na Sintonia Fina do Universo

Por Tyson ser físico este erro é simplesmente imperdoável. Logo de inicio ele lista uma série de aspectos do universo que são hostís a vida.

Ele aponta, por exemplo, que a maioria dos lugares do universo são proibitivos para vida por possuirem alta radiação ou serem frios demais.

E daí? Isto não muda o fato da sintonia fina das constantes e quantidades físicas existirem. Não altera o fato das condições necessárias para a vida (e em especial da vida inteligente) estarem pendendo sobre o fio de uma navalha.

A sintonia na fisica é simplesmente tão inacreditável que a melhor tentativa de objeção é a teoria dos multiversos – um número gigante (de preferência infinito) de universos, randomicamente surgidos, e que por pura sorte então iria aparecer um finamente sintonizado para vida.

Não vou aqui abordar a refutação a esta tese para não fugir ao assunto central que é a analise crítica a Tyson.

A proposta dele neste ponto foi a pior possível, pois ao invés de tentar uma alternativa ele tentou negar a sintonia!

Novamente aqui ele faz uma confusão entre objeção científica ao D.I. em si com uma objeção teológica as implicações da teoria.
  
Vamos continuar analizando esta falácia seguindo na linha teológica da objeção.

Podemos apontar uma premissa oculta no pensamento dele.

Ele parece supor ser fisicamente possível para Deus (1) criar entidades biológicas que sobrevivam bem EM QUALQUER ambiente ou (2) criar ambientes, que mesmo possuindo altos ou baixos níveis de radiação em pontos diferentes, não iriam influenciar a sobrevivência biológica humana.

O problema é que ele apenas afirma isto sem mostrar nenhuma justificativa ou linha de raciocínio para validá-lo. Tudo que eles faz e dar um depoimento pessoal dizendo: “Eu não chamaria isto de Éden”.
Ele, então, está nos informando apenas sobre algo subjetivo da psicologia dele e nada mais.

Esta frase é também uma falácia do espantalho. Ao mencionar Éden ele faz uma referência a Bíblia, mas será que ele não leu que desde a queda de Adão nós fomos expulsos do Éden?

Em outras palavras, ao contrário do que pensa Tyson, a hostilidade da natureza é algo totalmente compatível com as doutrinas bíblicas.

Se Tyson faz apenas suposições aqui, de outro lado temos C.S. Lewis, em seu clássico “O Problema da Sofrimento”, apontando para algo que parece ser uma realidade inevitável:

De novo, se a matéria tem uma natureza fixa e obedece a leis constantes, nem todos os estados da mesma serão igualmente agradáveis aos desejos de uma determinada alma, nem serão todos igualmente benéficos para esse agregado particular de matéria que você chama de corpo. Se o fogo dá conforto a esse corpo de uma certa distância, ele irá destruí lo quando a distância for encurtada. Assim, mesmo num mundo perfeito, vemos a necessidade para esses sinais de perigo que as fibras sensíveis de nossos nervos destinam se a transmitir.”

Outros pontos mencionados por Tyson são, a previsão da colisão de nossa galáxia com Andrômeda, da Terra com supernovas e a morte fria do universo, em alguns bilhões de anos.

Estes ítens também são altamente problemáticos. Podemos apontar pelo menos dois problemas:

(1) Por uma perspectiva científica, o tempo de duração de algo é irrelevante para dizer se ele foi projetado ou não. Todas as criações humanas são temporais e decaem com o tempo. Isto quer dizer que elas não foram projetadas?

(2) Por uma perspectiva teológica ou filosófica a premissa de que o universo é governado por leis imutáveis impessoais, ou que ele funciona exclusivamente por meio destas leis, sem a existência de um projetista, é uma premissa ateísta e não teísta. Logo esta objeção se torna um raciocínio circular, pois já parte da idéia de quem não existe um projetista divino para concluir que não haverá intervenção.

Falácia 3 Desastres Naturais


Dando sequência Tyson aponta para tsunamis, vulcões, tornados etc como “exemplos de algo benevolente não está por aí.”

Aqui temos também várias coisas a observar que demolem este tipo de argumento.

Primeiro é o reconhecimento de que várias ( senão todas ) das chamadas “catastrofes naturais” são coisas ABSOLUTAMENTE ESSENCIAIS para a existência da vida biológica. Pode parecer um paradoxo, como pode algo que mata pessoas ser também essencial para vida?

Simples, vulcões, por exemplo, reciclam minerais necessários a vida. Sem eles recursos naturais essenciais seriam rapidamente consumidos na superficie do globo sem qualquer reciclagem de camadas inferiores.

Terremotos ocorrem porque a crosta terrestres está acentada sobre um núcleo de magma. Substitua este núcleo líquido por algo sólido e mais firme para evitá-los e descobriremos que, por outro lado, perdemos o escudo eletromagnético que nos protege da gama de raios solares nocivos.

Diminua a emissão de energia solar para eliminar estes raios e veremos que a vida não é mais possível. E assim sucessivamente.

Várias pesquisas recentes demonstram que a sintonia fina do universo vai muito além das quantidades e constantes da física e estão presentes também em escala maior.Neste ponto recomendo o excelente documentário  “The Privileged Planet”

Em segundo lugar Tyson parece não se lembrar, ou talvez nem saiba, que segundo a teologia cristã o objetivo de Deus não é criar um ambiente agradável para nós como se fossemos Seus bichinhos de estimação, mas, sim, fazer Sua presença em nossas vidas algo real e constante. Nos preparar para uma vida eterna, esta, sim, agradável e feliz.

E o que isto tem a ver? Tem a ver que não é nada claro que a redução ou inexistência de sofrimento seja um elemento útil para este fim. Na verdade podemos ver claramente que é o oposto que ocorre. É muito mais frequente ver a dor e o sofrimento aproximando as pessoas de Deus do que a sombra e água fresca.

Não é nada difícil verificar que a maioria das pessoas só busca o auxilio sobrenatural quando a coisa está preta. Não nos lembramos realmente e profundamente de Deus, a não ser raramente, quando vai tudo de vento em popa.

Citando novamente C.S. Lewis

“Deus sussurra em nossos ouvidos por meio de nosso prazer, fala-nos mediante nossa consciência, mas clama em alta voz por intermédio de nossa dor; este é seu megafone para despertar o homem surdo.”

A teologia cristã tem recursos que tornam a existência do sofrimento humano algo totalmente esperado.

Faz parte da condição decaída do homem que a busca por seu Criador ocorra primariamente sob a dor e o sofrimento. Eles nos fazem lembrar de quão impotentes somos para cuidarmos, de fato, de nossas vidas, num sentindo mais essencial, profundo e verdadeiro.

Em terceiro lugar este argumento do “eu faria melhor” mostra sempre uma grande ausência de humildade. Afinal, porque pensar que sequer estamos em posição de fazer esta análise?Não somos oniscientes, nem onibenevolentes.

Mesmo que tivessemos sempre o conhecimento do que é melhor para a humanidade, não sabemos das implicações profundas e os resultados das coisas numa escala larga de tempo, nem em amplitude global.

Temos no máximo uma visão mais ou menos acurada num contexto muito restrito. Podemos observar e conhecer apenas o que está a nossa volta.

Como medir se um tsunami, que mata milhares de pessoas, foi algo realmente ruim para a humanidade? Quais as consequências científicas, humanitárias a curto e longo prazo disto? Algumas delas podemos ver imediatamente, mas outras não.

Os beneficios podem aparecer somente décadas ou séculos depois, inclusive numa cadeia de causa e efeito que se estenda até outro país, que nem poderíamos imaginar estar conectado a mecionada tragédia.

Um último ponto aqui, também referente a teologia cristã. Morte não é punição e sim promoção. Morte é um ato de misericórdia para com alguns e julgamento de Deus para com outros.

Deus pode chamar de volta para casa Seus filhos já convertidos, ou pode prover a salvação no além túmulo, para aqueles que podem estar prestes a atingir uma rebeldia incurável aqui nesta vida.

Também em Sua soberania Deus decide o momento de julgar os rebeldes incuráveis.

Mostrei aqui maneira de explicar a não contradição entre a existência de Deus e o sofrimento, mas a verdade é que eu nem precisaria. O ônus da prova é de quem afirma haver esta contradição. É o ateu que tem que provar que Deus e o sofrimento são coisa logicamente contraditórias e não o teísta que precisa  provar que não são. (Veja este post)

Enfim, a teologia cristã tem amplos recursos para lidar com o chamado “Problema do Sofrimento”.

Falácia 4 Ineficiência Divina

Duas ou trêz vezes durante a apresentação Tyson reclama do tempo longo e desperdício de recursos para criar o universo e a vida.

Esta objeção é também facilmente respondida.

Eficiência é um termo de economia, sendo importante apenas quando se tem tempo ou recursos limitados, como em uma empresa.Mas é muito dificil imaginar porque isto seria um problema para um Ser que não possui nenhuma das duas limitações sendo eterno e onipotente.

Se Deus resolveu gastar bilhões de anos e de espécies para chegar até o ser humano não há problema algum.

Falácia 5 Falhas de Projeto no Corpo Humano

Esta é a parte que, particularmente, acho mais divertida. Um exemplo típico de que neoateu não aprende com os próprios erros.

Para início de conversa qualquer afirmação de que um orgão está projetado com falhas já é, em sí, uma falácia ad ignorantium. É dizer “Não vemos o motivo de Deus ter projetado assim então não há nenhum motivo, logo não foi Deus”.

Mas sobre não aprender com os erros, uma breve pesquisa nos revela a quantidade de orgãos ou elementos que já se afirmou não terem função, ou estarem mal projetado, mas que no fim, demonstrou-se o oposto.

Cito alguns exemplos:

a) O apêndice: Já foi dito ser um órgão sem função e um exemplo de evolução cega. Mas em 2009 descobriu-se que ele faz parte do sistema imunológico.

b) DNA Lixo: Já foi dito haver regiões do DNA que não tem qualquer função. Hoje, quanto mais se pesquisa, mais funções são descobertas.

c) Design errado do Olho: Já se disse que a posição da retina é muito ruim. Os raios luminosos precisam atravessar várias camadas de células até chegar nela. Foi demonstrado que é justamente esta camada que protege a retina, filtrando raios UV, que nos tornariam cegos em pouco tempo. Além de muitas outras desvantagens.

Frente a isto podemos concluir que é uma atitude muito mais científica, e humilde, simplesmente dizer que ainda não se sabe o motivo de um orgão ser como é, mas que no futuro acharemos a resposta.


Conclusão

Tyson não apresenta absolutamente nada de novo. São as mesmas objeções fracas e facilmente refutáveis que se encontra na literatura barata de Richard Dawkins e outros promotores do ódio ao D.I. e a quem quer fazer ciência séria.

Quando o ateísmo precisa de palhaços com Tyson e ignorantes arrogantes como Dawkins e CIA é que podemos ver em que situação deplorável estão as visões de mundo que não podem suportar nem a idéia de que o mundo seja resultado de projeto.

Será que é porque isto levaria, quase que imediatamente, a perguntas ainda mais apavorantes para estas pessoas?. O projetista é Deus? Se sim o que vou fazer?

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8 respostas em “Quando Cientistas Inteligentes Perdem a Cabeça

  1. @Igor Gitirana

    Eu já vi um clip deles trocando algumas palavras mas não sei se foi um debate.

    Hoje em dia estes eventos do tipo “Além da Crença” estão quase sempre abarrotados de neo ateus então sempre vai ter gente para bater palmas e fazer o apresentador se convencer q fez uma ótima apresentação.

  2. kkkkkkkkkkkkkk! Quanto “mimimi” nesse vídeo!

    Até agora, ainda não encontrei uma “prova definitiva de evolução” (seja lá qual definição queiram usar). Nada que a afirmação de “um Designer em comum” não possa suportar.

    Eu gostaria de perguntar pro Tyson: “Até que ponto precisamos chegar para ter certeza que não é resultado de 'probabilidade'?”

  3. Não entendo que na hora de um debate sério, para comparar conhecimentos, apareçam pessoas mediocres como Tyson e Dawkins,e com argumentos tão fracos…acho que por isso ficam com ódio…não encontram argumentos plausíveis…e são facilmente refutados…

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