Pergunta: Que sentido tem existir se Deus já sabe quem irá para o céu ou para o inferno? (Via FormSpring)


Pergunta:
Se Deus é onisciente, ele já sabe qual indivíduo vai supostamente para o céu ou para o inferno. Que sentido tem, existir, segundo a visão bíblica então? Nós somos marionetes, joguinhos dele?
Autor anônimo.

Resposta:
A presciência Divina (capacidade que Deus possui de saber tudo sobre o futuro) se baseia no fato de que Deus conhece as atitudes humanas. Ele sabe o que faremos porque Ele “nos vê” fazendo as coisas no futuro e não porque Ele determinou que nós agíssemos desta maneira.

O homem possui liberdade de escolha – livre arbítrio – e portanto não é uma marionete nas mãos de Deus. Este é um conceito que permeia toda a Escritura, de Gênesis ao Apocalipse. O chamado de Jesus ao arrependimento e a crença no evangelho (Marcos 1:15b), por exemplo, não faria qualquer sentido se não estivesse pressuposto a idéia de que as pessoas podem genuinamente se arrepender e crêr.

Portanto, a visão fatalista é estrangeira à teologia bíblica. Deus não é um ser que ordenou todas as coisas de maneira unilateral. Ele agiu, age e continuará agindo em resposta as escolhas que fazemos todos os dias, e desde Sua eternidade Ele conhece as nossas decisões.

O fato de termos sido feito a Sua imagem e semelhança dá à nossa vida e às nossas escolhas um valor real e objetivo. O sentido de nossa existência está no fato que podemos escolher entre o bem e mal, a vida e a morte, o amor a Deus e ao próximo e o amor próprio. E faremos isto por nossa própria escolha e baseado na Graça de Deus que nos acordou e nos chamou ao arrependimento.

Deus ama a todas as criaturas e não quer que nenhuma pereça, mas infelizmente muitos não querem um Deus assim e Ele nada pode fazer a não ser aceitar a rejeição delas.

“Juro pela minha vida, palavra do Soberano Senhor, que não tenho prazer na morte dos ímpios, antes tenho prazer em que eles se desviem dos seus caminhos e vivam ” Ezequiel 33:11

O Argumento Ontológico comete a falácia da petição de princípio?

 

Original em inglês: http://www.reasonablefaith.org/does-the-ontological-argument-beg-the-question
Tradução: Mike Moore
 
Pergunta 159: 

Caro Dr. Craig,

Como cristã eu gostaria em primeiro lugar de agradecê-lo por seu trabalho! É extremamente animador ver uma defesa tão sólida do Cristianismo em nosso mundo pluralista e secular. Minha pergunta é sobre o argumento ontológico modal de Plantinga que você usa. Plantinga define um ser excelência máxima como um ser que possuem as propriedades de onipotência, onisciência, etc e um ser grandeza máxima como um ser que exista em todos os mundos possíveis.  Agora, se nós usarmos G como a proposição “Um ser de máxima excelência existe”, o argumento de Plantinga se reduz ao seguinte na lógica modal. Para os leitores não familiarizados com operadores modais, “◊” significa “é possível que” e “□” significa que é necessário que “.

1. ◊ □ G [Premissa]
2. ◊ □ G → □ G [axioma S5]
3. □ G [1, 2]
4. □ G → G [axioma S5]
5. G [3, 4]

(1) ["É possível que seja necessário que um ser maximamente excelente exista"]
parece bastante modesto. No entanto, ao fazer a pesquisa para o argumento, descobri que a vinculação corre para o outro lado. Por outras palavras:

□ G → ◊ □ G é verdadeiro também por causa do axioma S5. Então, isso implica que ◊ □ G ↔ □ G. Porque (1) e (3) são logicamente equivalentes, o argumento se reduz a:

1. □ G [Premissa]
2. □ G → G [axioma S5]
3. G [1, 2]

Mas isto não carrega nenhuma força, já que ninguém vai aceitar a primeira premissa a menos que aceitem a conclusão! Uma vez que está claro que “possivelmente necessário” é a mesma coisa como “necessário”, o argumento perde sua força, pois não parece haver nenhuma maneira de convencer o ateu que Deus existe necessariamente. Na verdade, ele se oporia a tal noção já que não há contradição lógica em dizer “Deus não existe”.

Eu realmente gosto do argumento modal ontológico, mas é por causa dessa objeção que eu agora o acho  insustentável. Existe alguma maneira de resolver este problema?

Obrigado e que Deus te abençoe,

PB

Dr Craig responde:

A questão de se temos garantias independentes para acreditar na primeira premissa do argumento ontológico é, certamente, a questão crucial que enfrenta o proponente do argumento. Essa premissa afirma que é possível que um ser de grandeza máxima exista, onde por “grandeza máxima” entende-se a propriedade de ter excelência máxima em todos os mundos possíveis. A questão, então, é se a grandeza máxima é possivelmente exemplificável.

PB, acho que eu posso resolver o seu problema com o argumento. Primeiro, a sua reconstrução do argumento está errado. Isto é evidente, porque você acaba com a conclusão de contingente (5): “existe um ser máxima excelência”. Mas o argumento ontológico pretende mostrar que um ser de máxima grandeza  existe, um cuja existência é necessária. Você deveria ter parado a reconstrução do argumento com o passo (3): □ G.

Segundo, você confundiu necessidade de re com a necessidade de dicto. Necessidade de re é a necessidade de uma coisa (res); necessidade de dicto é a necessidade de uma declaração (dito). A primeira premissa do argumento ontológico afirma que uma certa afirmação é possível, ou seja, a afirmação de que existe um ser de grandeza máxima ou que a grandeza máxima é exemplificada. Não é a afirmação “É possível que seja necessário que um ser excelência máxima exista”. Essa declaração envolve a interação de duas modalidades de dicto. Se façamos com que G seja a proposição “Um ser de grandeza máxima existe”, a primeira premissa deve ser simbolizada: ◊ G.

Terceiro, você confundir equivalência lógica com sinonímia. Dizer que “Possivelmente, um ser de máxima grandeza existe” é, de fato, logicamente equivalente a dizer que “Possivelmente, é necessário que um ser de máxima excelência exista.” Mas estas declarações não significam a mesma coisa. É o significado de uma declaração que é relevante para o seu estatuto epistemológico para nós, não suas vinculações lógicas. A afirmação pode parecer verdade para nós, apesar de estarmos bastante desinformados de suas implicações lógicas. Portanto, é um erro dizer que “‘possivelmente necessário” é a mesma coisa que “necessário”, se por “é ” você quer dizer “meios”. Então será também um erro, pensar que porque  ◊ □ G ↔ □ G, a primeira premissa do argumento “reduz” a □ G. Não é uma questão de redução, mas dedução! O ponto central do argumento ontológico é mostrar que em afirmar a possibilidade da existência de um ser de máxima grandeza  compromete-se com sua existência real. A natureza de um argumento dedutivo é que a conclusão está implícita, escondidas, como se fosse, nas premissas, à espera de ser explicitada por meio das regras de inferências lógicas. Alguém normalmente acredita que ◊ □ G sem primeiro crer que □ G, pelo menos não é preciso primeiro acreditar que □ G e, em seguida, nesta base inferir que ◊ □ G. As intuições modais de alguém pode apoiar a crença de que ◊ □ G, e então pode-se perceber que é logicamente equivalente a e assim implica que □ G, e assim se chega a acreditar que um ser de máxima grandeza existe.

Em poucas palavras: a equivalência lógica da conclusão do argumento ontológico para a sua primeira premissa só mostra que é um argumento dedutivo válido e não que é uma petição de princípio.

Quanto a réplica do ateu de que não é auto-contraditório dizer: “Deus não existe”, isso é irrelevante, porque o argumento é enquadrado em termos de possibilidade / necessidade lógica amplos,  não por possibilidade / necessidade lógica estritos ou estreitos. Não há nenhuma contradição em afirmar “O Primeiro-Ministro é um número primo”, mas isto dificilmente mostra que tal declaração é possivelmente verdadeira no sentido relevante (que há um mundo possível em que essa afirmação é verdadeira). O ateu tem de manter que a idéia de grandeza máxima é logicamente incoerente no sentido amplo, como a ideia de um solteiro casado. Mas a idéia de grandeza máxima parece perfeitamente coerente e, portanto, possível, o que implica que a grandeza máxima é exemplificado!

E Se o Cristão Estiver Errado?

Pergunta via FormSpring:

E se os judeus ou islamicos estiverem certos? Você vai queimar no inferno por idolatria.

Autor: Anônimo

Resposta:

Não apenas eu mas você também, certo?

Mas caso você seja Judeu ou Muçulmano digo, com todo respeito pela sua fé, que a probabilidade de você estar certo é muito pequena, a meu ver.

Quando ao Judaísmo
Se Jesus não é o Messias os Judeus também estarão errados pois não haverá Messias judaico algum:

1- O profeta Daniel diz claramente que ele deveria aparecer antes da destruição do segundo Templo de Jerusalém (que ocorreu no ano 70 d.C.)
2- O Messias seria rejeitado por seu próprio povo (Judeus) mas aceito pelas nações do mundo.
3- Teria um ministério sacerdotal envolvendo um sacrifício que levaria as pessoas de volta a Deus em reconciliação.
4- Através dele o conhecimento de Deus chegaria ao gentios por todo o mundo.

Enfim se Jesus não é o Messias não há Messias judaico algum pois há somente ele como candidato a ter cumprido estas e outras profecias.

Quanto ao Islã
O Alcorão faz várias afirmações que são centrais a fé islâmica mas que são historicamente muito problemáticas. Por exemplo:

1- Afirma q Jesus não morreu crucificado (negando o que todo historiador moderno afirma),
2- Diz que Jesus não afirmou ser filho de Deus (negando também o que todo historiador moderno e sério reconhece),
3- Diz que cristãos antigos afirmavam que a Trindade era Deus, Jesus e Maria. (esta parte é para lá de curiosa!);

Muitos outros exemplos existem. A mim parece que o Islâ tem problemas seríssimos para se sustentar como uma visão de mundo viável.

A Ciência Desprova a Bíblia?

Pergunta via FormSpring:

Primeiramente parabéns pelo Blog. Não sou cristão, mas admiro qualidades cristãs. Porém pra mim a Bíblia, por mais inspiradora que seja, não condiz com evidências da ciência, com a arqueologia ou astronomia. Pra você a bíblia deve ser lida literalmente?

André Resende

Resposta:

Em primeiro lugar agradeço pelos elogios e pela forma clara e respeitosa como você colocou sua objeção. Para mim é sempre um prazer responder a perguntas feitas assim.

Sua questão é muito boa e toca num ponto, que para muitos, é fundamental, a doutrina da inerrância bíblica. O raciocínio normalmente é assim: Deus sendo perfeito deve inspirar uma palavra perfeita logo se a Bíblia contém erros então o Deus revelado nela não existe.

A resposta a esta pergunta tem duas partes. Uma seria identificar o impacto real caso a afirmação dos erros sejam verdadeiras e a outra a análise dos alegados erros.

Primeira Parte: Qual o impacto real?

Pode surpreender a muitos ateus ou não cristãos, mas o fato é que nem todo cristão é inerrantista, ou seja, crê na doutrina da completa inerrância bíblica. Eu mesmo sou agnóstico sobre ela. Não sei se ela contém erros. Até o momento eu desconheço qualquer erro comprovado.

O importante de se lembrar é que a Bíblia é um livro sobre a salvação humana e não um manual de ciências. O objetivo principal dela é descreve a condição decaída do coração humano com relação a Deus e o que Ele fez para consertar isto. Se Deus preferiu fazer isto usando pessoas de pouca instrução, com conhecimentos científicos precários, não vejo nada de lógica ou moralmente errado nisto se a mensagem essencial foi passada fielmente.

Mas se eu for convencido que ela contenha erros o que podemos inferir disto? Bom, depende do erro. Por exemplo, você citou astronomia. Há muito tempo existem debates exegéticos se a Bíblia afirma o geocentrismo ou não. Sem entrar no mérito desta discussão o que podemos concluir se ela de fato ensinar o geocentrismo? O que podemos concluir se os autores realmente achavam que a Terra era o centro físico e estático do sistema solar e do universo? A meu ver muito pouco. Podemos concluir apenas que eles achavam isto e pronto. Não segue disto que Jesus não era Filho de Deus e que não ressuscitou dos mortos, por exemplo. Toda a pesquisa sobre a confiabilidade histórica dos evangelhos e o Argumento da Ressurreição de Jesus continuam intactos. Por outro lado se um dia for provado que Jesus não morreu crucificado – um dos fatos mais bem atestados da antiguidade e uma afirmação central da fé cristã – aí sim poderemos descartar o cristianismo.

Segunda Parte: A Bíblia contém erros?

Infelizmente, André, você não mencionou exemplos específicos dos alegados erros. Você fez apenas afirmações genéricas citando a ciência, arqueologia e astronomia então eu não posso ter certeza do que você se refere exatamente.

Em termos científicos uma das objeções mais comuns seria quanto a idade do cosmos, da Terra e dos seres humanos. Mas é importante notar que em nenhum lugar a Bíblia afirma explicitamente uma idade para na disto. Há cristãos que seguem um linha de raciocínio e exegese para concluir que ela ensina que o universo e a Terra tem 6 mil anos e tudo foi criado em 6 dias normais de 24 horas. Porém isto é debatido há muito tempo, antes mesmo da teoria de Darwin. Nos escritos dos pais da igreja se encontrará variadas opiniões. Santo Agostinho, por exemplo, afirmou no século IV, que o termo “dias”, de Gênesis 1, não precisa ser entendido literalmente nem que a criação ocorreu há apenas alguns milhares de anos.

Citei anteriormente um exemplo sobre astronomia, vou pegar agora a arqueologia. Já li um pouco sobre isto e até onde posso afirmar desconheço qualquer achado arqueológico que ponha uma dúvida séria em qualquer afirmação bíblica. É fato que não há registro arqueológico para muitos locais, pessoas e eventos relatados na Bíblia mas é preciso ter muito cuidado com este tipo de argumento da omissão. Pelo que sei arqueólogos não esperam encontrar ruínas e itens arqueológicos sobre tudo que ocorreu na antiguidade, principalmente quando o povo em questão foi vítima de conquistadores que muitas vezes promoveram grandes destruições. Mas ainda sim os achados arqueológicos corroboram o Novo Testamento incluindo locais que são mencionadas de passagem sem que tenham nenhuma relevância no texto. Por exemplo, no evangelho de João (Cap 5) é dito que Jesus curou um paralítico num local chamado Tanque de Betesda, que continha cinco alpendres. Por muito tempo esta história foi tida por alguns acadêmicos como pura invenção, até o dia que o tanque foi achado e não havia nele quatro nem seis alpendres e sim cinco. Claro que isto não prova que Jesus curou uma pessoa lá mas ajuda a apontar que os evangelhos foram escritos como gênero literário histórico e não mitológico ou simbólico, como afirmam alguns. Muitos personagens bíblicos já foram julgados inexistentes – como Herodes e Caifás – até que a arqueologia demonstrou que os críticos estavam errados e a Bíblia correta. Este são apenas alguns exemplos. Muitos outros existem.

Uma história muito interessante é do Sir William Mitchell Ramsay, um eminente arqueólogo cético, que ao tentar provar a falsidade histórica do livro de Atos dos Apóstolos finalizou sua jornada no sentido oposto convertendo-se ao cristianismo movido pela acurácia demonstrada por Lucas (Autor de Atos).
Sobre a questão da Bíblia ser lida literalmente ou não é preciso compreender que ela não é um livro único escrito por um autor de uma vez só. Ela é uma coletânea de livros de vários autores, com vários estilos literários, escritos em vários contextos históricos ao longo de mais de 1500 anos e para vários públicos diferentes. Para um entendimento mais fiel ao texto é preciso uma exegese que leve tudo isto em conta. Há textos poéticos, profecias, provérbios, narrativas históricas entre outros gêneros. É preciso entender cada um em seu respectivo contexto. Para citar dois exemplos, quando os evangelhos narram que Jesus morreu e ressuscitou fisicamente dos mortos isto é uma descrição literal, por outro lado, o livro profético do Apocalipse é riquíssimo em imagens metafóricas e simbólicas e precisa ser compreendido desta maneira.

Finalizando eu gostaria de recomendar o excelente livro “Em Defesa de Cristo” (link) do jornalista e ex-ateu Lee Strobel. É uma coletânea de entrevistas com vários especialistas focados no Novo Testamento e inclui uma análise mais detalhada dos aspectos históricos e arqueológicos que mencionei.

Com relação aos aspectos astronômicos e científicos da Bíblia recomendo os trabalhos do astrofísico Dr Hugh Ross (link).

Espero que minha resposta tenha sido útil.